Em resumo
- Neuromodulação não invasiva: técnicas que usam estímulos magnéticos ou elétricos leves, aplicados por fora do corpo, para ajustar a atividade de circuitos do cérebro e de nervos, sem cirurgia e sem anestesia. A Clínica Higashi Londrina oferece três delas.
- EMTr: pulsos magnéticos emitidos por uma bobina apoiada na cabeça. A depressão é a condição com a base de pesquisa mais sólida[1].
- ETCC: corrente elétrica muito fraca, aplicada por eletrodos no couro cabeludo, estudada na depressão, na dor crônica e na reabilitação neurológica, com evidência mais modesta[2].
- Estimulação do nervo vago: estímulos elétricos leves sobre a pele para ativar a via que desacelera o corpo, ligada ao descanso, à digestão e à inflamação. É uma área de pesquisa em expansão[3].
- A avaliação vem antes: a história, os medicamentos em uso, os implantes e o histórico de convulsões são revistos na primeira consulta, e o plano é ajustado nas reavaliações.
O que é neuromodulação não invasiva?
A neuromodulação não invasiva é um conjunto de técnicas que usam estímulos magnéticos ou elétricos leves, aplicados por fora do corpo, para aumentar ou reduzir a atividade de áreas do cérebro e de nervos, sem cirurgia, sem corte e sem anestesia. Na Clínica Higashi Londrina, ela reúne três técnicas: a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr), a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) e a estimulação do nervo vago.
Uma dúvida frequente de quem chega à clínica é: "isso mexe no meu cérebro?". A resposta curta é sim, de forma dirigida e controlada. O estímulo não retira nem implanta nada. Ele muda, por alguns instantes, o ritmo de trabalho de um circuito específico. A repetição das sessões é o que ajuda o cérebro a reorganizar a forma como esse circuito funciona.
Neuroplasticidade em linguagem simples
O cérebro funciona por redes de neurônios que conversam por sinais elétricos. Os caminhos usados com frequência ficam mais fortes; os pouco usados enfraquecem. Essa capacidade de mudar com o uso tem nome: neuroplasticidade. É ela que permite aprender a dirigir, decorar um trajeto novo ou recuperar movimentos depois de um AVC.
Em algumas condições, certos circuitos ficam presos em um padrão. Podem trabalhar menos do que deveriam, ou ficar sensíveis demais, como acontece com os circuitos que processam a dor quando ela dura meses. A neuromodulação dá um empurrão repetido nesses circuitos. Uma sessão isolada produz um efeito passageiro; a série de sessões busca uma mudança que se mantenha.
Estimular ou acalmar
Cada técnica pode ser ajustada para ativar ou para frear a área escolhida:
- Na EMTr, pulsos de alta frequência tendem a aumentar a excitabilidade da área estimulada, e pulsos de baixa frequência tendem a reduzi-la[1].
- Na ETCC, o polo positivo (ânodo) tende a facilitar a atividade dos neurônios logo abaixo, e o polo negativo (cátodo) tende a reduzi-la[2].
- Na estimulação do nervo vago, o estímulo ativa fibras que levam ao cérebro informações sobre o estado dos órgãos e que participam da resposta de calma do organismo[4].
Como funciona a EMTr, a estimulação magnética transcraniana repetitiva?
A EMTr usa uma bobina apoiada sobre a cabeça para gerar pulsos magnéticos curtos, que atravessam o couro cabeludo e o crânio sem resistência e induzem uma pequena corrente elétrica na área do cérebro logo abaixo, mudando a atividade dela. O princípio lembra o de um carregador de celular por indução: o campo magnético passa pela barreira e produz corrente do outro lado.
Como é a bobina
A bobina mais usada tem formato de oito, o que concentra o estímulo em uma área pequena do cérebro. Há também bobinas desenhadas para alcançar regiões um pouco mais profundas[1]. A escolha depende da área que o plano pretende alcançar.
Como é a sessão
- Você fica sentado e acordado. Não há anestesia nem sedação, e é possível conversar durante a sessão.
- A intensidade é ajustada para você. No início do tratamento, mede-se o limiar motor: a menor intensidade que provoca um pequeno movimento involuntário da mão quando a área do movimento é estimulada. Esse valor funciona como uma régua para a dose de cada pessoa[5].
- A bobina é posicionada. Ela é colocada sobre a área definida no plano e mantida no mesmo lugar ao longo da sessão.
- Os pulsos começam. O aparelho emite séries de pulsos com um som de clique, e você sente batidas leves no couro cabeludo. As diretrizes de segurança recomendam proteção auditiva durante a estimulação[5].
- Você volta à rotina. Ao final, é possível seguir para o trabalho ou para casa normalmente.
Protocolos, de forma geral
Um protocolo de EMTr é a combinação de cinco escolhas: a área estimulada, a frequência dos pulsos, a intensidade, a quantidade de pulsos por sessão e o número de sessões. Na depressão, os protocolos mais estudados usam alta frequência sobre a região pré-frontal esquerda, baixa frequência sobre a direita ou a combinação dos dois lados. Uma variação chamada theta burst entrega os pulsos em pequenas rajadas, em sessões mais curtas[1]. O tratamento costuma ser feito em uma série de sessões próximas umas das outras, e a quantidade é definida no plano de cada pessoa.
Onde há mais evidência: depressão
A depressão é a condição em que a EMTr tem a base de pesquisa mais sólida. Uma diretriz europeia que revisou os estudos publicados até o fim de 2018 colocou a eficácia na depressão no nível mais alto da sua escala[1]. A diretriz canadense de tratamento da depressão recomenda a EMTr como opção de primeira linha para quem não teve boa resposta a pelo menos um tratamento medicamentoso[6].
“Evidência de nível A (eficácia definida) foi alcançada para […] EMTr de alta frequência do córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo […] na depressão.”
Lefaucheur e colaboradores, diretriz europeia, 2020[1]
Outras aplicações estudadas
- Dor crônica: a estimulação de alta frequência da área motora tem eficácia considerada definida na dor neuropática e provável na fibromialgia, segundo a diretriz europeia[1]. Uma revisão Cochrane que reuniu estudos de dor crônica de vários tipos encontrou efeitos pequenos e de curto prazo, com evidência de qualidade baixa[7]. Na prática, o lugar da técnica depende do tipo de dor.
- Ansiedade: uma revisão com metanálise encontrou resultados favoráveis no transtorno de ansiedade generalizada e no estresse pós-traumático, a partir de um número pequeno de estudos[8]. A diretriz europeia considera provável a eficácia no estresse pós-traumático[1].
- Parkinson: eficácia provável para os sintomas motores e para a depressão que acompanha a doença[1].
- Insônia: uma metanálise de 36 ensaios, com mais de 2.300 adultos, encontrou melhora da qualidade do sono medida por questionário, com parte da evidência classificada como de qualidade baixa ou muito baixa[9].
- Memória e doenças neurodegenerativas: são áreas de pesquisa ativa, ainda sem nível de recomendação nas diretrizes europeias[1]. Nesses casos, a decisão é individual e ponderada na consulta, junto com o acompanhamento da condição de base.
Como funciona a ETCC, a estimulação transcraniana por corrente contínua?
A ETCC aplica uma corrente elétrica contínua e muito fraca, por dois eletrodos colocados sobre o couro cabeludo, que deixa os neurônios da área estimulada um pouco mais ou um pouco menos propensos a disparar. Ela não faz o neurônio disparar sozinho: funciona como inclinar levemente um terreno, facilitando ou dificultando uma atividade que já existe.
Como é a sessão
Os eletrodos, envoltos em esponjas umedecidas ou com gel, ficam presos por uma faixa ou touca. A corrente sobe aos poucos no início e desce aos poucos no fim. Você fica acordado, sentado, e pode ler, conversar ou fazer exercícios orientados durante a aplicação.
A sensação mais comum é de formigamento, coceira ou leve ardência sob os eletrodos, que costuma diminuir nos primeiros minutos. Dor de cabeça leve e cansaço também são relatados, e sensações parecidas aparecem até em quem recebe estimulação simulada nos estudos[10].
Por que combinar com exercícios
Como a ETCC facilita a atividade de um circuito, uma das ideias mais estudadas é aplicá-la enquanto esse circuito está em uso: exercícios de atenção e memória, treino de movimentos na reabilitação, exercícios de linguagem. O estímulo prepara o terreno e a tarefa indica o caminho. É como aquecer o músculo antes do treino, e não no lugar dele. Se faz sentido combinar, e como, é definido no plano.
O que dizem as evidências
A diretriz europeia de 2017 não atribuiu eficácia definida a nenhuma indicação da ETCC e considerou provável o efeito na fibromialgia e na depressão sem resistência ao tratamento[2]. Uma revisão de especialistas publicada em 2021 classificou a depressão como indicação de eficácia definida e a dor neuropática, a fibromialgia, a enxaqueca, o Parkinson (movimento e cognição) e a reabilitação motora após AVC como de eficácia provável. Os próprios autores ressaltam que o tamanho e a duração dos efeitos costumam ser limitados[11].
Em linguagem simples: a ETCC tem baixo risco, evidência mais modesta que a EMTr na maior parte das indicações e costuma fazer mais sentido dentro de um plano que combina outros cuidados.
O que é o nervo vago e como funciona a estimulação não invasiva?
O nervo vago é o principal nervo do sistema parassimpático, o lado do sistema nervoso autônomo que desacelera o corpo, e liga o cérebro ao coração, aos pulmões e ao intestino[4]. A estimulação não invasiva do nervo vago usa estímulos elétricos leves, aplicados sobre a pele em pontos por onde passam ramos desse nervo, para ativar essa via sem cirurgia[3].
O sistema nervoso autônomo em duas marchas
O sistema nervoso autônomo cuida do que funciona sem você pensar: batimentos, respiração, pressão, digestão. Ele tem duas marchas. A simpática é a do alerta, que prepara o corpo para agir diante de um susto ou de um prazo apertado. A parassimpática é a do descanso e da digestão, que desacelera o coração, favorece o sono e põe o intestino para trabalhar.
Num dia equilibrado, as duas se alternam. Com estresse prolongado, noites mal dormidas e preocupação constante, o corpo pode ficar preso na marcha do alerta: o coração acelera à toa, o sono fica leve, o intestino reage a qualquer tensão. Um puxa o outro.
Por que o nervo vago interessa
- Via de mão dupla: além de levar comandos do cérebro ao corpo, ele leva ao cérebro informações sobre o estado dos órgãos, inclusive do intestino[4].
- Resposta ao estresse: o tônus vagal acompanha a capacidade de regular a resposta ao estresse e pode ser influenciado até pela forma de respirar[4].
- Inflamação: o nervo vago participa de um circuito chamado reflexo inflamatório, pelo qual o sistema nervoso ajuda a frear a produção de substâncias inflamatórias[12].
- Digestão: ele participa dos movimentos e das secreções do aparelho digestivo, o que ajuda a entender a ligação entre tensão emocional e intestino[4].
Como é a estimulação, de forma geral
Na forma não invasiva, pequenos eletrodos de superfície emitem pulsos elétricos leves, e a sensação costuma ser de formigamento no local. Os estudos usam pontos de aplicação e parâmetros variados, e ainda não há consenso sobre o local mais adequado nem sobre a combinação de parâmetros mais eficaz para cada condição[3]. Por isso, a técnica é vista como promissora, com pesquisa em expansão, e entra no plano de forma ponderada, ao lado dos outros cuidados.
Medir antes e acompanhar depois
A avaliação do sistema nervoso autônomo, feita no check-up da primeira consulta, analisa a variabilidade da frequência cardíaca, as pequenas diferenças de tempo entre um batimento e outro, para mostrar como o corpo se distribui entre alerta e descanso. Ela ajuda a entender o ponto de partida e a acompanhar a evolução ao longo do tratamento.

Para quem a neuromodulação pode ser indicada?
A neuromodulação pode ser indicada para pessoas com depressão, ansiedade, insônia, queixas de memória e atenção, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas e dor crônica, sempre como parte de um plano definido depois da avaliação médica. A pergunta que orienta a indicação vai além do diagnóstico: o que já foi tentado, o que mais está influenciando o quadro e qual técnica faz sentido agora.
Saúde emocional
- Depressão, inclusive quando a resposta ao tratamento em curso ficou abaixo do esperado
- Ansiedade e tensão constante
- Desânimo e falta de energia que persistem
Sono e descanso
- Dificuldade para pegar no sono
- Despertares durante a madrugada
- Noites que não descansam
Concentração e memória
- Esquecimentos que atrapalham a rotina
- Dificuldade de manter a atenção
- Raciocínio mais lento que o habitual
Parkinson
- Sintomas motores, como lentidão e rigidez
- Sintomas não motores, como o desânimo
- Cuidado ao longo do tempo, junto com o acompanhamento da doença
Doenças neurodegenerativas
- Declínio cognitivo
- Outras condições degenerativas do sistema nervoso
- Reabilitação de funções afetadas
Dor crônica
- Dor neuropática, ligada a lesão de nervos
- Fibromialgia
- Dor que persiste por meses
Depressão e ansiedade
Na depressão, a neuromodulação costuma entrar junto com o tratamento em curso, e não no lugar dele. Ela é considerada sobretudo quando a resposta ficou abaixo do esperado, quando os efeitos do tratamento atual incomodam ou quando a pessoa prefere somar uma opção não medicamentosa. Na ansiedade, a EMTr e a estimulação do nervo vago são as técnicas mais estudadas, com evidência ainda em construção.
Sono, concentração e esquecimentos
Insônia, dificuldade de concentração e esquecimentos raramente têm uma razão só. Antes de pensar em estímulo, a avaliação investiga o que pode estar por trás: hormônios, deficiências de nutrientes, medicamentos em uso, rotina de descanso. A neuromodulação entra quando faz sentido dentro desse conjunto.
Dor crônica
Quando a dor dura meses, o próprio sistema nervoso passa a participar dela: os circuitos que processam a dor ficam mais sensíveis e respondem com mais intensidade. É nesse ponto que a neuromodulação pode ajudar, ao lado do programa de tratamento da dor da clínica, que olha também para a origem física da dor, para a reabilitação e para a rotina.
O que as pesquisas mostram em cada técnica?
As pesquisas mostram que a EMTr tem a evidência mais sólida, principalmente na depressão; que a ETCC tem evidência mais modesta, com resultados prováveis em depressão e dor; e que a estimulação não invasiva do nervo vago ainda está em fase de expansão. A tabela abaixo resume o que as diretrizes e revisões dizem, condição por condição.
| Técnica | Condição | O que diretrizes e revisões indicam |
|---|---|---|
| EMTr | Depressão | Eficácia definida na diretriz europeia; opção de primeira linha após resposta insuficiente a um tratamento medicamentoso, na diretriz canadense[1, 6] |
| EMTr | Dor neuropática e fibromialgia | Eficácia definida na dor neuropática e provável na fibromialgia[1]; na dor crônica em geral, efeito pequeno e de curto prazo, com evidência de baixa qualidade[7] |
| EMTr | Parkinson | Eficácia provável para sintomas motores e para a depressão associada[1] |
| EMTr | Ansiedade e estresse pós-traumático | Provável no estresse pós-traumático[1]; resultados favoráveis na ansiedade generalizada, com poucos estudos[8] |
| EMTr | Insônia | Melhora da qualidade do sono em metanálise, com parte da evidência de qualidade baixa[9] |
| ETCC | Depressão | Provável na diretriz europeia; definida em revisão de especialistas de 2021[2, 11] |
| ETCC | Fibromialgia e dor neuropática | Eficácia provável[2, 11] |
| ETCC | Parkinson e reabilitação após AVC | Eficácia provável na revisão de 2021, com efeitos de tamanho limitado[11] |
| Nervo vago (não invasiva) | Estresse, ansiedade, depressão e inflamação | Evidência preliminar; mecanismos e melhores parâmetros ainda em estudo[4, 3] |
Como ler "eficácia definida" e "eficácia provável"
Nas diretrizes, "definida" quer dizer que vários estudos independentes, comparando o estímulo real com um estímulo simulado, chegaram ao mesmo resultado. "Provável" quer dizer que há bons estudos, mas em menor número. Nenhum dos dois termos é promessa individual: a própria diretriz europeia lembra que superar o estímulo simulado não significa, por si só, um benefício relevante para cada pessoa[1]. É a avaliação que pesa o que a pesquisa mostra diante do seu caso.
Quem precisa de cuidado antes da neuromodulação e quais efeitos são esperados?
A neuromodulação não invasiva tem bom perfil de segurança, mas pede cuidado em quem tem implantes metálicos na cabeça, implante coclear, marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados e histórico de convulsões, pontos que são avaliados na primeira consulta, antes de qualquer sessão[5, 13].
O que é revisado antes do plano
- Implantes metálicos na cabeça, como clipes, placas ou fragmentos, próximos à área a ser estimulada
- Implante coclear e outros dispositivos com ímã, que podem se deslocar ou perder a magnetização com o pulso magnético[5]
- Marca-passo e outros aparelhos eletrônicos implantados[5]
- Histórico pessoal de convulsões ou epilepsia
- Medicamentos em uso, já que alguns podem mudar a sensibilidade do cérebro ao estímulo[13]
- Condição da pele nos pontos onde ficam os eletrodos, na ETCC e na estimulação do nervo vago
Efeitos esperados e passageiros
- Na EMTr: desconforto ou dor leve no couro cabeludo no local da bobina, dor de cabeça leve e dor no pescoço pela postura, em geral passageiros[5]. Na metanálise sobre insônia, a dor de cabeça foi mais frequente no grupo que recebeu o estímulo real[9].
- Na ETCC: formigamento, coceira ou leve ardência sob os eletrodos, dor de cabeça leve e cansaço[10].
- Na estimulação do nervo vago: formigamento no local do estímulo, ajustado para ficar confortável.
Avise a equipe sobre qualquer sensação diferente durante ou depois da sessão. Muitas vezes, um ajuste de posição ou de intensidade resolve o desconforto.
E o risco de convulsão?
A convulsão é o efeito mais sério descrito com a EMTr e é muito rara: as diretrizes de segurança consideram o risco baixo quando os parâmetros habituais são respeitados[13, 5]. É por isso que a triagem vem antes do plano e que a intensidade é ajustada ao limiar de cada pessoa. Com a ETCC, os estudos já somam mais de 300 mil sessões sem relato de efeito adverso grave[10].
Como funciona o tratamento com neuromodulação na prática?
O tratamento com neuromodulação começa pela primeira consulta, segue um plano com técnica, área, ritmo e número de sessões definidos para cada pessoa e é acompanhado por reavaliações que ajustam o caminho. Na Clínica Higashi Londrina, o tratamento com EMTr, ETCC e estimulação do nervo vago segue quatro etapas.
Primeira consulta
A conversa reúne a sua história, os tratamentos que você já fez, os medicamentos em uso e os exames que você traz. A triagem de segurança acontece aqui, junto com o check-up funcional: bioimpedância InBody e Seca, calorimetria indireta, avaliação do sistema nervoso autônomo, espirometria e teste respiratório para SIBO.
Indicação e plano
O plano define a técnica (EMTr, ETCC, estimulação do nervo vago ou uma combinação), a área estimulada, os parâmetros e o número de sessões, além dos outros cuidados: hormônios, nutrientes, sono, intestino.
Sessões na clínica
As sessões acontecem na clínica, com você acordado e confortável. Depois de cada uma, você volta às suas atividades.
Reavaliações
Nos retornos, a resposta é acompanhada com perguntas e escalas e, quando faz sentido, com a repetição da avaliação do sistema nervoso autônomo. O plano é ajustado conforme a evolução.

O que esperar ao longo das sessões
A resposta à neuromodulação varia de pessoa para pessoa e costuma ser gradual. Nas primeiras sessões, o corpo se acostuma às sensações do estímulo. Ao longo da série, as mudanças são observadas com calma, e não de um dia para o outro. Ao fim, as reavaliações mostram se vale manter, espaçar ou mudar a estratégia.
Um diário simples ajuda
Anotar, em poucas linhas por dia, como foi o sono, a energia, a concentração, a dor e o ânimo dá à reavaliação um retrato mais fiel do que a memória de semanas. Exemplos concretos ajudam: "voltei a ler à noite", "acordei menos vezes durante a noite", "a dor não me tirou da caminhada". Esse registro mostra mudanças pequenas que passariam despercebidas.
Por que a neuromodulação faz parte de um cuidado mais amplo?
A neuromodulação faz parte de um cuidado mais amplo porque emoções, descanso, memória e dor dependem de muitos fatores que se influenciam, e o estímulo age sobre uma parte dessa rede. Por isso, na Clínica Higashi Londrina, ela caminha junto com a avaliação de hormônios, intestino, rotina de descanso, inflamação e nutrientes, guiada pelo lema que acompanha a clínica desde 1971: equilíbrio global da saúde.
Um puxa o outro: exemplos do dia a dia
- Sono e ânimo: noites mal dormidas pioram a concentração e a paciência; o desânimo, por sua vez, bagunça o horário de dormir e de acordar.
- Tireoide e cortisol: o hormônio da tireoide abaixo do necessário pode trazer cansaço, lentidão e desânimo, e o cortisol alterado pelo estresse prolongado mexe com o sono. A avaliação da tireoide com o endocrinologista entra no mesmo plano.
- Hormônios sexuais: na transição da menopausa, a queda do estrogênio pode trazer insônia, ondas de calor e oscilações emocionais, que se somam ao quadro.
- Intestino: o intestino conversa com o cérebro o tempo todo, em boa parte pelo próprio nervo vago[4]. Inchaço e intestino irregular costumam piorar em fases de tensão, e a tensão piora com o desconforto.
- Nutrientes: a falta de vitamina B12, de vitamina D ou de ferro pode afetar a energia, a memória e a disposição. Por isso, as deficiências de vitaminas e minerais são investigadas.
- Inflamação: o reflexo inflamatório mostra que sistema nervoso e inflamação estão ligados[12]. A inflamação persistente também atinge o cérebro e entra na investigação.
- Medicamentos em uso: alguns podem mudar a sensibilidade do cérebro ao estímulo[13], e outros podem contribuir para sonolência ou desânimo. Eles são revisados na consulta, e qualquer ajuste é decidido pelo médico.
O que isso muda na prática
Se a falta de vitamina B12 contribui para os esquecimentos, ou se a tireoide explica parte do cansaço, tratar só o circuito cerebral deixaria uma parte da história de fora. A avaliação ampla e a neuromodulação se completam: uma mostra o que mais pesa no quadro, a outra age diretamente sobre os circuitos envolvidos.
Essa forma de olhar vem da abordagem integrativa e funcional adotada pela clínica, que investiga sono, horário das refeições, estresse, intestino, nutrientes e exposição a toxinas ambientais junto com os exames de rotina. Ela se apoia na formação complementar do Dr. Leonardo Higashi, diretor médico da clínica, que inclui um fellowship em Medicina Funcional.
Quais são os mitos mais comuns sobre neuromodulação?
Os mitos mais comuns sobre neuromodulação confundem as técnicas com choque, atribuem a elas perda de memória ou esperam delas um efeito imediato, e nenhuma dessas ideias corresponde ao que os estudos descrevem.
"É choque no cérebro"
A EMTr usa um campo magnético, e a ETCC e a estimulação do nervo vago usam correntes muito fracas, sentidas como formigamento. Nenhuma delas tem o objetivo de provocar convulsão, nenhuma precisa de anestesia, e você fica acordado e conversando durante a sessão.
"Apaga memórias"
As diretrizes de segurança da EMTr citam uma revisão de estudos controlados que não encontrou evidência confiável de prejuízo à memória ou ao raciocínio com a estimulação da região pré-frontal[5]. Memória e atenção são, inclusive, funções estudadas como alvo da neuromodulação.
"Uma sessão resolve"
O efeito da neuromodulação é construído pela série de sessões, e não por uma aplicação isolada. A resposta varia, e é por isso que o plano prevê reavaliações.
"Se eu começar, posso parar o tratamento que já faço"
A neuromodulação costuma ser combinada ao tratamento em curso. Interromper medicamentos por conta própria pode piorar o quadro; qualquer mudança é decidida pelo médico.
"Quanto mais forte, melhor"
A intensidade é calibrada pelo limiar de cada pessoa[5]. Ir além do planejado não traz benefício extra e aumenta a chance de desconforto.
Que perguntas levar para a consulta sobre neuromodulação?
As perguntas mais úteis para levar à consulta são as que ajudam a entender por que a técnica foi escolhida, como a resposta será acompanhada e como a neuromodulação se combina com o restante do plano.
- Qual técnica faz mais sentido no meu caso, e por quê?
- Qual área será estimulada, e o que ela tem a ver com o que eu sinto?
- Como a resposta será acompanhada? O que eu devo anotar entre as sessões?
- O que mais pode estar influenciando o meu quadro: sono, hormônios, intestino, nutrientes?
- Os meus medicamentos, implantes ou o meu histórico mudam alguma coisa no plano?
- O que fazer se eu sentir dor de cabeça ou desconforto depois de uma sessão?
- Como fica o tratamento que eu já faço?
- O que acontece quando a série de sessões terminar?
O que levar
A lista dos medicamentos em uso, com as doses; exames recentes; relatórios de tratamentos anteriores; informações sobre cirurgias, implantes ou aparelhos no corpo; e, se possível, algumas semanas de anotações sobre sono, energia, concentração e dor.
Glossário da neuromodulação
- Ânodo e cátodo
- Os dois polos da ETCC. O ânodo tende a facilitar a atividade dos neurônios logo abaixo; o cátodo tende a reduzi-la.
- Bobina em oito
- Bobina da EMTr com duas alças lado a lado, que concentra o pulso magnético em uma área pequena do cérebro.
- Córtex pré-frontal dorsolateral
- Região da parte da frente do cérebro ligada ao planejamento, à atenção e à regulação das emoções; é o alvo mais estudado na depressão.
- Estimulação simulada
- Sessão que reproduz o ritual e as sensações do tratamento sem o estímulo real, usada nos estudos para comparar resultados.
- Limiar motor
- A menor intensidade da EMTr que provoca um pequeno movimento involuntário da mão; serve para ajustar a dose de cada pessoa.
- Nervo vago
- Nervo que sai do tronco cerebral e chega ao coração, aos pulmões e ao intestino; é a principal via do sistema parassimpático.
- Neuroplasticidade
- Capacidade do cérebro de fortalecer, enfraquecer e reorganizar conexões conforme o uso.
- Reflexo inflamatório
- Circuito pelo qual o nervo vago ajuda a frear a produção de substâncias inflamatórias.
- Sistema nervoso autônomo
- Parte do sistema nervoso que controla funções automáticas, com uma marcha de alerta (simpática) e uma de descanso e digestão (parassimpática).
- Theta burst
- Forma de EMTr que entrega os pulsos em pequenas rajadas, permitindo sessões mais curtas.
- Tônus vagal
- Nível de atividade do nervo vago em repouso, ligado à capacidade de o corpo voltar à calma depois de um estresse.
- Variabilidade da frequência cardíaca
- As pequenas diferenças de tempo entre um batimento e outro; ajudam a avaliar o equilíbrio entre as marchas do sistema nervoso autônomo.
Perguntas frequentes sobre neuromodulação
O que é neuromodulação e para que serve?
Neuromodulação não invasiva é um conjunto de técnicas que usam estímulos magnéticos ou elétricos leves para aumentar ou reduzir a atividade de circuitos do cérebro e de nervos. Ela é usada como parte do tratamento de depressão, ansiedade, insônia, queixas de memória e atenção, Parkinson, doenças neurodegenerativas e dor crônica. Na Clínica Higashi Londrina, inclui EMTr, ETCC e estimulação do nervo vago, sempre depois da avaliação médica.
A neuromodulação dói?
Não é preciso anestesia. Na EMTr, você sente batidas leves no couro cabeludo e ouve um som de clique; na ETCC e na estimulação do nervo vago, a sensação costuma ser de formigamento. Desconforto local e dor de cabeça leve podem acontecer e costumam ser passageiros.
Quantas sessões de neuromodulação são necessárias?
Depende da técnica, da condição e da resposta de cada pessoa. O efeito é construído pela série de sessões, e o número e a frequência são definidos no plano e revistos nas reavaliações.
Quem tem marca-passo ou implante pode fazer neuromodulação?
Implantes metálicos na cabeça, implante coclear, marca-passo e outros aparelhos eletrônicos implantados pedem cuidado, assim como o histórico de convulsões. Esses pontos são avaliados na primeira consulta, antes de qualquer sessão, e definem se a técnica pode ser usada e de que forma.
A estimulação do nervo vago ajuda na ansiedade?
O nervo vago participa da resposta do corpo ao estresse, do descanso e da digestão, e por isso a estimulação não invasiva é estudada na ansiedade e na tensão constante. A evidência ainda é preliminar, e a técnica entra no plano junto com a avaliação do sistema nervoso autônomo, da rotina de descanso e do intestino.
Preciso parar os meus medicamentos para fazer neuromodulação?
Na maior parte dos casos, não: a neuromodulação costuma ser combinada ao tratamento em curso. Os medicamentos em uso são revisados na primeira consulta, porque alguns podem mudar a sensibilidade do cérebro ao estímulo, e qualquer ajuste é decidido pelo médico.
Onde fazer neuromodulação em Londrina?
Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden, em Londrina, com EMTr, ETCC e estimulação do nervo vago. O atendimento é particular, com agendamento pelo WhatsApp (43) 99930-0218 ou pelo telefone (43) 3323-8744.
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