Em resumo

  • O que é: o nervo vago é o décimo nervo craniano. Sai do tronco cerebral e desce pelo pescoço e pelo tórax até o abdome, ligando o cérebro ao coração, aos pulmões e ao intestino[1].
  • Mais escuta do que manda: de 80% a 90% das fibras levam ao cérebro informações sobre o estado dos órgãos[1].
  • O freio do corpo: é a principal via do lado do sistema nervoso autônomo que desacelera o coração e favorece o descanso e a digestão, e participa do controle da inflamação[2].
  • Como se mede: pela variabilidade da frequência cardíaca. Na Clínica Higashi Londrina, ela é analisada na avaliação do sistema nervoso autônomo, que faz parte do check-up da primeira consulta.
  • Como é estimulado: com estímulos elétricos leves aplicados sobre a pele, em pontos por onde passam ramos do nervo, sem cirurgia. A pesquisa em ansiedade, sono, inflamação e digestão é promissora e ainda preliminar[3].
  • Hábitos também contam: respiração lenta e exercício regular estão entre os hábitos com mais estudos sobre o lado que acalma o corpo.

O que é o nervo vago e por onde ele passa?

O nervo vago é o décimo par de nervos cranianos: nasce no tronco cerebral, sai do crânio, desce pelo pescoço e pelo tórax e chega ao abdome, levando e trazendo informações entre o cérebro e órgãos como coração, pulmões, estômago e intestino[1]. O caminho longo explica o apelido de “nervo errante”.

Ele é o alvo de uma das três técnicas de neuromodulação da Clínica Higashi Londrina. O guia da neuromodulação, com EMTr, ETCC e estimulação do nervo vago, mostra as três técnicas lado a lado. Aqui, o foco é o próprio nervo: o que ele faz, como medir o seu trabalho e o que se sabe sobre estimulá-lo.

O que ele faz em cada parada

  • Garganta: comanda a maior parte dos músculos da faringe e da laringe, usados para engolir e falar[1].
  • Coração: leva o sinal que reduz a frequência dos batimentos[1].
  • Pulmões, coração e fígado: envia ao cérebro, o tempo todo, notícias sobre o estado desses órgãos[1].
  • Estômago e intestino: regula a contração da musculatura e as secreções digestivas[1].

Um nervo que mais escuta do que manda

De 80% a 90% das fibras do nervo vago são sensitivas: levam ao cérebro informações sobre os órgãos. Só de 10% a 20% levam ordens do cérebro para o corpo[1]. O cérebro recebe sem parar sinais sobre o coração, a respiração e o intestino, e reage a eles. É uma das razões por que tensão e intestino costumam andar juntos.

Qual é o papel do nervo vago no sistema nervoso autônomo?

O nervo vago é a principal via do sistema parassimpático, o lado do sistema nervoso autônomo que desacelera o corpo, favorece a digestão e ajuda a voltar à calma depois de um susto[1]. O outro lado, o simpático, acelera o coração e prepara o corpo para agir.

Uma imagem ajuda: o simpático é o acelerador, e o vago é o freio. Num carro bem dirigido, os dois pedais trabalham o tempo todo, e ninguém dirige só com um deles. Em repouso, o freio vagal segura o ritmo do coração. Diante de um prazo apertado, o freio alivia e o acelerador entra.

Quando o freio fica fraco

Com estresse que não acaba, noites curtas e pouca atividade física, o corpo pode passar o dia com o acelerador mais pressionado e o freio mais leve. Um puxa o outro: o sono fica leve, a tensão aumenta, o intestino reage, e o cansaço do dia atrapalha a noite seguinte. O nível de atividade do nervo vago em repouso tem nome: tônus vagal. Ele acompanha a capacidade de regular a resposta ao estresse e pode ser influenciado até pela forma de respirar[1].

Por que o nervo vago importa para a ansiedade, o descanso e a digestão?

O nervo vago importa para a ansiedade, o descanso e a digestão porque é por ele que o corpo pisa no freio depois de uma tensão, desacelera o coração e põe o intestino para trabalhar; quando esse freio atua pouco, os três costumam sentir.

Ansiedade

Uma metanálise com 36 estudos, que somaram 2.086 pessoas com transtornos de ansiedade e 2.294 sem, encontrou variabilidade da frequência cardíaca menor nos grupos com ansiedade, com diferença de tamanho pequeno a moderado[4]. Em outras palavras, o freio vagal tende a atuar menos em quem convive com ansiedade. É uma via de mão dupla: a tensão enfraquece o freio, e o freio fraco deixa a tensão durar mais.

Descanso

Para descansar, o corpo precisa trocar o acelerador pelo freio no fim do dia. Quem deita com o pensamento acelerado e o coração batendo forte conhece a dificuldade dessa troca.

Digestão e intestino

O nervo vago percebe sinais do intestino, inclusive de substâncias produzidas pela microbiota, e leva essas informações ao cérebro[5]. O estresse inibe o nervo vago e pode afetar o intestino e a própria microbiota, e um tônus vagal baixo já foi descrito em pessoas com síndrome do intestino irritável e com doença inflamatória intestinal[5]. O artigo sobre intestino, microbiota, hormônios e peso aprofunda essa conversa.

Inflamação

O nervo vago participa do reflexo inflamatório: ao perceber sinais de inflamação no corpo, ele ajuda a frear a produção de substâncias inflamatórias[2]. Essa descoberta abriu uma linha de pesquisa sobre a estimulação do nervo como forma de modular a inflamação[5].

Como se mede o trabalho do nervo vago, e como ler esse número sem conclusões apressadas?

O trabalho do nervo vago sobre o coração é medido pela variabilidade da frequência cardíaca (VFC), as pequenas diferenças de tempo entre um batimento e outro, que funcionam como um índice do tônus vagal cardíaco[6]. Esse número muda com muitos fatores e só faz sentido lido junto com a história de cada pessoa.

“Um coração saudável não é um metrônomo.”

Shaffer e Ginsberg, 2017 [7]

O coração não bate como um relógio. Ao inspirar, ele acelera um pouco; ao expirar, desacelera. Essa oscilação constante é o que permite ao sistema cardiovascular se ajustar rápido a um esforço ou a um susto[7].

Tela com os gráficos da avaliação do sistema nervoso autônomo na Clínica Higashi Londrina
A avaliação do sistema nervoso autônomo, parte do check-up da primeira consulta, analisa a variabilidade da frequência cardíaca.

Na Clínica Higashi Londrina, a VFC é analisada na avaliação do sistema nervoso autônomo, que faz parte do check-up funcional da primeira consulta e ajuda a acompanhar a evolução ao longo do tratamento.

O que muda o número

FatorO que aconteceComo entra na leitura
Idade e sexoOs valores de base mudam com a idade e diferem entre homens e mulheres[7]O resultado é comparado com o de pessoas parecidas, e não com uma meta genérica
Duração do registroRegistros de 24 horas, de cerca de 5 minutos e de menos de 5 minutos têm valores de referência próprios, que não podem ser trocados entre si[7]Só se comparam medidas feitas do mesmo jeito
RespiraçãoO ritmo da respiração durante o registro muda os índices da VFC[7]A forma de respirar no momento da medida é considerada
Condicionamento físicoO treino regular aumenta o componente da VFC ligado ao nervo vago[8]Quem treina com regularidade tende a ter valores mais altos
Medicamentos e condições de saúdeAlguns remédios e doenças mexem com a frequência cardíacaEntram na conversa da consulta antes de qualquer conclusão

Por que o número do relógio não fecha com o da avaliação

Relógios e anéis costumam medir a VFC em momentos, posições e durações diferentes dos usados na avaliação clínica. Como medidas de durações diferentes não são intercambiáveis[7], o número do aparelho de pulso não deve ser comparado com o da clínica. Ele serve, no máximo, para observar a sua própria tendência ao longo do tempo.

Um retrato, não um diagnóstico

A facilidade de medir a VFC não torna simples a sua interpretação: os próprios pesquisadores alertam que os resultados são fáceis de interpretar mal[6]. Um valor baixo em um dia não é diagnóstico de nada. Ele ganha sentido junto com a queixa, o sono, os medicamentos e os outros exames.

Como é feita a estimulação não invasiva do nervo vago?

A estimulação não invasiva do nervo vago usa estímulos elétricos leves, aplicados sobre a pele por eletrodos de superfície, em pontos por onde passam ramos do nervo, para ativar essa via sem cirurgia, sem corte e sem anestesia[3].

Como é a sessão

  1. Você se acomoda. Fica sentado ou recostado, acordado, e pode conversar.
  2. Os eletrodos são posicionados. Eles ficam sobre a pele, no ponto definido no plano.
  3. A intensidade sobe aos poucos. O ajuste é feito até um formigamento perceptível e confortável no local.
  4. A aplicação segue em repouso. Você pode aproveitar para respirar com calma durante o estímulo.
  5. Fim da sessão. Os eletrodos são retirados, e você volta à rotina.

Na Clínica Higashi Londrina, a estimulação do nervo vago faz parte do serviço de neuromodulação e é acompanhada pela avaliação do sistema nervoso autônomo, que mostra o ponto de partida e ajuda a ver a evolução.

O que ainda está em aberto

Os estudos usam pontos de aplicação e parâmetros diferentes, e ainda não há evidência firme sobre o local ideal nem sobre a combinação de parâmetros que traz mais benefício em cada condição[3]. Por isso, a técnica é vista como promissora, e o plano é ajustado com base na resposta de cada pessoa.

O que é revisado antes

Antes de começar, a primeira consulta revisa a pele no local dos eletrodos, os medicamentos em uso, alterações do ritmo do coração e a presença de marca-passo ou de outros aparelhos eletrônicos no corpo.

O que as pesquisas mostram sobre a estimulação do nervo vago?

As pesquisas sobre a estimulação não invasiva do nervo vago mostram resultados promissores no sono, na ansiedade, na inflamação e nas queixas digestivas, mas a evidência ainda é preliminar: os estudos são pequenos, usam métodos diferentes e precisam de confirmação.

  • Sono e insônia: uma revisão sistemática com metanálise reuniu 6 estudos e 336 pacientes com insônia e encontrou melhora da qualidade do sono e da gravidade da insônia, com qualidade da evidência classificada como baixa ou muito baixa[9].
  • Ansiedade, estresse e depressão: a estimulação é estudada como complemento ao tratamento, com evidência preliminar; os tratamentos que agem sobre o nervo vago aumentam o tônus vagal e reduzem a produção de substâncias inflamatórias[1].
  • Inflamação: a via anti-inflamatória do nervo vago é a base dessa linha de pesquisa, e a aplicação clínica ainda está em estudo[5].
  • Intestino: o interesse vem do papel do nervo no eixo intestino-cérebro e do tônus vagal baixo descrito em doenças do intestino[5].

Como ler “promissor”

Promissor quer dizer que os primeiros estudos apontam numa direção favorável, mas ainda sem o volume e a qualidade necessários para conclusões firmes. Por isso, a estimulação do nervo vago entra no plano de forma ponderada, como uma parte do cuidado, ao lado da avaliação de hormônios, intestino, sono e nutrientes.

Na depressão, a técnica de neuromodulação com a base de pesquisa mais sólida é outra. O artigo sobre como é a sessão de EMTr e em que casos ela é usada explica essa técnica em detalhe.

Que hábitos também ativam o lado que acalma o corpo?

Respirar mais devagar e fazer exercício com regularidade são os hábitos com mais estudos sobre o lado parassimpático do sistema nervoso autônomo, e a regularidade do sono completa esse cuidado do dia a dia.

Respiração lenta

Uma revisão sistemática sobre técnicas de respiração lenta, com menos de 10 respirações por minuto, encontrou aumento da VFC e relatos de mais relaxamento e menos ansiedade em pessoas saudáveis[10]. Exemplo: alguns minutos respirando devagar antes de dormir.

Exercício regular

Uma metanálise mostrou que o treino físico regular aumenta o componente da VFC ligado ao nervo vago e reduz a frequência cardíaca de repouso. A resposta foi menor nas pessoas mais velhas[8], o que não tira o valor do exercício em nenhuma fase da vida.

Sono e ritmo do dia

Horários regulares para dormir, acordar e comer ajudam o corpo a alternar entre alerta e descanso nos momentos certos. Quando o sono encurta, a tensão do dia seguinte aumenta, e a tensão atrapalha a noite seguinte: um puxa o outro.

Práticas que combinam respiração lenta e atenção, como a meditação e o yoga, também são estudadas como forma de aumentar o tônus vagal[1]. Esses hábitos não substituem a avaliação nem o tratamento, mas somam. Na clínica, eles entram no plano junto com a estimulação, quando ela é indicada.

Quais são os mitos mais comuns sobre o nervo vago?

Os mitos mais comuns sobre o nervo vago prometem “resetá-lo” com truques rápidos, tratam o tônus vagal baixo como diagnóstico e reduzem ansiedade, sono e digestão a um nervo só, e nenhuma dessas ideias corresponde ao que as pesquisas descrevem.

“Um truque rápido reseta o nervo vago”

Alguns estímulos rápidos que circulam nas redes mudam a frequência cardíaca por instantes. Um efeito momentâneo é diferente de mudar o tônus vagal no dia a dia, que depende de hábitos mantidos ao longo do tempo e, quando faz sentido, de tratamento.

“Tônus vagal baixo é uma doença”

A VFC é um retrato do momento, influenciado por idade, respiração, condicionamento e duração do registro. Ela orienta a avaliação e o acompanhamento, mas não é um diagnóstico sozinha.

“Se o problema é o nervo vago, basta cuidar dele”

Ansiedade, noites que não descansam e intestino irritado raramente têm uma razão só. Tireoide, cortisol, hormônios sexuais, falta de vitaminas e minerais, intestino e medicamentos em uso podem pesar no quadro, e por isso entram na mesma avaliação.

Como a estimulação do nervo vago entra no plano da Clínica Higashi Londrina?

Na Clínica Higashi Londrina, a estimulação do nervo vago entra depois da primeira consulta, dentro de um plano que olha para o conjunto: a avaliação do sistema nervoso autônomo mostra o ponto de partida, e hormônios, intestino, sono, nutrientes e medicamentos em uso são avaliados junto. Essa forma de cuidar segue o lema que acompanha a clínica desde 1971: equilíbrio global da saúde.

  1. Primeira consulta

    A sua história, os medicamentos em uso, os exames que você traz e o check-up funcional, com a avaliação do sistema nervoso autônomo.

  2. Plano

    A técnica, o número de sessões e os outros cuidados: sono, intestino, nutrientes, hormônios e hábitos.

  3. Sessões

    Aplicações na clínica, com você acordado e confortável, e volta à rotina em seguida.

  4. Reavaliações

    A resposta é acompanhada nos retornos e, quando faz sentido, a avaliação do sistema nervoso autônomo é repetida.

Perguntas frequentes sobre o nervo vago e a sua estimulação

O que é o nervo vago?

O nervo vago é o décimo nervo craniano. Ele sai do tronco cerebral e desce pelo pescoço e pelo tórax até o abdome, ligando o cérebro ao coração, aos pulmões e ao intestino. É a principal via do lado do sistema nervoso autônomo que desacelera o corpo e favorece o descanso e a digestão.

Para que serve a estimulação do nervo vago?

A estimulação não invasiva do nervo vago é estudada na ansiedade e na tensão constante, na insônia, na inflamação e em queixas ligadas ao eixo intestino-cérebro. Os resultados são promissores e ainda preliminares, e por isso a técnica entra no plano junto com a avaliação de hormônios, intestino, sono e nutrientes.

A estimulação do nervo vago dói?

Não. Ela usa estímulos elétricos leves sobre a pele, sem cirurgia e sem anestesia. A sensação costuma ser de formigamento, e a intensidade é ajustada para ficar confortável.

Como saber se o meu nervo vago está funcionando bem?

A medida mais usada é a variabilidade da frequência cardíaca, que reflete a ação do nervo vago sobre o coração. Na Clínica Higashi Londrina, ela é analisada na avaliação do sistema nervoso autônomo do check-up da primeira consulta, e o resultado é lido junto com a sua história.

Onde fazer estimulação do nervo vago em Londrina?

Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden, em Londrina, como parte do serviço de neuromodulação. O atendimento é particular, com agendamento pelo WhatsApp (43) 99930-0218 ou pelo telefone (43) 3323-8744.

Retrato do Dr. Leonardo Higashi como revisor médico dos artigos da Clínica Higashi Londrina

Revisão médica

Dr. Leonardo Higashi — MÉDICO — CRM-PR 25067

Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) · Nutrologia (RQE 2685) · Clínica Médica (RQE 15389)

Médico especialista em Endocrinologia e Metabologia, Nutrologia e Clínica Médica e diretor médico da Clínica Higashi Londrina desde 2009. Tem formação complementar em medicina funcional, prática ortomolecular, endocrinologia do envelhecimento e medicina esportiva, e é membro e professor da Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa.

Conheça o Dr. Leonardo Higashi
Referências
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  2. Tracey KJ. The inflammatory reflex. Nature. 2002;420(6917):853-9. doi:10.1038/nature01321
  3. Yap JYY, Keatch C, Lambert E, Woods W, Stoddart PR, Kameneva T. Critical review of transcutaneous vagus nerve stimulation: challenges for translation to clinical practice. Front Neurosci. 2020;14:284. doi:10.3389/fnins.2020.00284
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  8. Sandercock GR, Bromley PD, Brodie DA. Effects of exercise on heart rate variability: inferences from meta-analysis. Med Sci Sports Exerc. 2005;37(3):433-9. doi:10.1249/01.mss.0000155388.39002.9d
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As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.