Em resumo
- O que é: a EMTr usa uma bobina apoiada na cabeça para emitir pulsos magnéticos que mudam a atividade de uma área do cérebro, com você acordado e sem anestesia. Na Clínica Higashi Londrina, ela faz parte do serviço de neuromodulação.
- Como é a sessão: checagem de como você está, protetor auricular, bobina posicionada no ponto definido no plano e séries de pulsos com som de clique e batidas leves no couro cabeludo. Ao final, você volta à rotina.
- A primeira sessão tem uma etapa a mais: a medida do limiar motor, que serve de régua para a intensidade de cada pessoa[1].
- Série de sessões: o efeito vem da repetição. Os protocolos mais estudados na depressão usam sessões nos dias úteis por 4 a 6 semanas[2]; na clínica, o número é definido no plano de cada pessoa.
- Onde há mais evidência: na depressão[3]. Dor crônica, Parkinson, ansiedade e insônia têm níveis de evidência diferentes, que a consulta pesa caso a caso.
- Quem precisa de cuidado: quem tem implantes metálicos na cabeça, implante coclear, marca-passo ou histórico de convulsões. Esses pontos são avaliados na primeira consulta, antes de qualquer sessão.
O que é a EMTr e como ela age no cérebro?
A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) é uma técnica não invasiva que usa pulsos magnéticos curtos, emitidos por uma bobina apoiada sobre a cabeça, para aumentar ou reduzir a atividade de uma área específica do cérebro, sem cirurgia e sem anestesia. O pulso atravessa o couro cabeludo e o crânio e induz uma pequena corrente elétrica nos neurônios logo abaixo da bobina.
Quem recebe a indicação costuma chegar com uma dúvida prática: “o que vai acontecer comigo na cadeira?”. Este artigo responde a isso, etapa por etapa. Para ver as três técnicas de neuromodulação lado a lado, com o mecanismo explicado em detalhe, vale ler o guia completo da neuromodulação, com EMTr, ETCC e nervo vago.
Em uma frase: pulsos repetidos em alta frequência tendem a ativar a área estimulada, e pulsos em baixa frequência tendem a acalmá-la[3].
Como é uma sessão de EMTr, passo a passo?
Uma sessão de EMTr segue sempre a mesma sequência: checagem de como você está, proteção dos ouvidos, posicionamento da bobina no ponto definido no plano, séries de pulsos com pausas entre elas e, ao final, volta direta à rotina. Você fica sentado, acordado, e pode conversar durante a aplicação.
- Checagem antes de começar. A equipe pergunta como foi a noite, se algum medicamento mudou e se houve consumo de álcool. Noite sem dormir, álcool e mudanças de remédios que agem no cérebro estão entre os fatores que as diretrizes de segurança pedem para registrar, porque podem mudar a sensibilidade do cérebro ao estímulo[1].
- Objetos de metal longe da bobina. Grampos, presilhas e outros objetos de metal soltos perto da cabeça são retirados antes da aplicação.
- Protetor auricular. Cada pulso faz um clique alto e seco. As diretrizes recomendam protetor auricular bem ajustado durante toda a estimulação[1].
- Bobina no lugar. A bobina é apoiada sobre o ponto do couro cabeludo que corresponde à área do cérebro escolhida no plano e fica no mesmo lugar durante toda a sessão.
- Séries de pulsos. Os pulsos vêm em sequências curtas, com intervalos de silêncio entre elas. Durante cada sequência, você ouve os cliques e sente batidas leves e rápidas no local, como toques com a ponta do dedo.
- Fim da sessão. Como não há sedação, você sai da sala e segue para as atividades do dia. Se sentiu algo diferente, conte à equipe antes de ir embora.
A primeira sessão tem uma etapa a mais
Antes da primeira série de pulsos, mede-se o limiar motor. A bobina é colocada sobre a área do cérebro que comanda a mão, e a intensidade sobe aos poucos até provocar um pequeno movimento involuntário de um dedo. Esse movimento é esperado e não dói. O valor encontrado vira a régua da intensidade do tratamento, que é calculada a partir desse limiar[1].
Na mesma sessão, a posição da bobina é registrada para ser repetida com fidelidade nas sessões seguintes. Por isso, a primeira sessão costuma levar mais tempo que as outras. O limiar pode ser conferido de novo ao longo do tratamento, quando o plano pede.
Quanto tempo dura a aplicação
A duração depende do protocolo. No estudo que comparou as duas formas mais usadas na depressão, a aplicação padrão de alta frequência levava 37,5 minutos, e a forma chamada theta burst intermitente, que entrega os pulsos em pequenas rajadas, levava 3 minutos, com resultado não inferior ao da forma padrão[4]. O tempo total na clínica inclui ainda a checagem e o posicionamento.
O que você sente durante e depois da sessão de EMTr?
Durante a sessão de EMTr, o mais comum é ouvir cliques e sentir batidas leves no couro cabeludo; depois dela, algumas pessoas têm dor de cabeça leve ou dor no pescoço, que costumam passar sozinhas[1]. Saber o que é esperado em cada momento ajuda a separar o que é normal do que merece ser contado à equipe.
| Momento | O que é comum | O que ajuda |
|---|---|---|
| Primeiros pulsos | Sobressalto com o som e com a batida; desconforto no ponto da bobina | Avisar a equipe: a posição e a subida da intensidade podem ser ajustadas |
| Ao longo da sessão | Batidas rítmicas no couro cabeludo e cansaço de ficar na mesma posição | Falar se precisar de uma pausa para se ajeitar |
| Horas seguintes | Dor de cabeça leve; dor no pescoço pela postura ou pela pressão da bobina[1] | Contar na sessão seguinte, para a equipe orientar e ajustar |
| Depois da sessão, a qualquer momento | Zumbido, ouvido tapado ou sensação de ouvir menos | Avisar a equipe: as diretrizes recomendam avaliar a audição nesses casos[1] |
| Ao longo da série | Mudanças graduais no sono, na energia e no ânimo, que nem sempre aparecem de um dia para o outro | Anotar em poucas linhas; as anotações entram nas reavaliações |
O que contar à equipe antes de cada sessão
Alguns acontecimentos do dia a dia podem mudar a forma como o cérebro responde ao pulso. As diretrizes de segurança pedem que fatores como privação de sono, infecção, consumo de álcool e mudanças de medicamentos sejam registrados durante o tratamento[1]. Por isso, vale contar:
- Se você dormiu muito pouco ou passou a noite em claro
- Se bebeu álcool nas horas ou no dia anterior
- Se começou, parou ou mudou a dose de algum remédio
- Se está com febre ou alguma infecção
- Se sentiu algo diferente depois da sessão anterior
Essas informações ajudam a equipe a decidir se a sessão do dia segue como planejado ou se algo precisa ser ajustado.
Por que a EMTr é feita em uma série de sessões?
A EMTr é feita em série porque o efeito vem da repetição: cada sessão muda por algum tempo o ritmo de um circuito do cérebro, e é a sequência de sessões próximas que ajuda esse circuito a manter um novo padrão. Uma sessão isolada não é o tratamento.
Na depressão, os protocolos com mais estudos usam sessões nos dias úteis, ao longo de 4 a 6 semanas[2, 4]. Esses números descrevem os estudos, e não uma regra para todo mundo. Na Clínica Higashi Londrina, o número de sessões, o ritmo e a área estimulada são definidos no plano, depois da primeira consulta, e revistos nas reavaliações.
Como a resposta é acompanhada
A resposta à EMTr costuma ser gradual e varia de pessoa para pessoa. Nas reavaliações, a equipe compara o ponto de partida com o momento atual. Exemplos concretos ajudam mais do que um “estou melhor”: “voltei a caminhar”, “acordei menos vezes à noite”.
Ao fim da série, a reavaliação mostra o caminho: seguir com sessões mais espaçadas, mudar a estratégia ou encerrar a EMTr e manter os outros cuidados do plano.
Em que casos a EMTr é usada, e onde há mais evidência?
A EMTr é usada principalmente na depressão, condição em que tem a base de pesquisa mais sólida, e também é estudada na dor crônica, no Parkinson, na ansiedade e na insônia, com níveis de evidência que variam de uma condição para outra.
Depressão
A diretriz europeia de 2020, que revisou os estudos publicados até o fim de 2018, classificou como eficácia definida a estimulação de alta frequência da região pré-frontal esquerda na depressão[3]. A diretriz canadense de 2016 recomenda a EMTr como primeira linha para adultos com depressão que não tiveram boa resposta a pelo menos um antidepressivo[5]. Um consenso de especialistas dos Estados Unidos reuniu recomendações práticas para essa aplicação, da triagem ao acompanhamento[6].
Na prática, a EMTr costuma entrar junto com o tratamento em curso, e não no lugar dele.
Outros usos estudados
- Dor crônica: eficácia definida na dor neuropática, com a estimulação da área motora, e provável na fibromialgia, segundo a diretriz europeia[3].
- Parkinson: eficácia provável para os sintomas motores e para a depressão que acompanha a doença[3].
- Ansiedade: eficácia provável no estresse pós-traumático, com a estimulação da região pré-frontal direita. Nas outras formas de ansiedade, a pesquisa ainda não alcançou nível de recomendação nas diretrizes europeias[3].
- Insônia: uma metanálise com 36 ensaios e 2.357 adultos encontrou melhora da qualidade do sono medida por questionário, com estudos de qualidade variada[7].
- Memória e doenças neurodegenerativas: áreas de pesquisa ativa, ainda sem nível de recomendação nas diretrizes europeias[3].
No serviço de neuromodulação da clínica, a EMTr é usada em depressão, ansiedade, dor crônica e sintomas do Parkinson, sempre dentro de um plano que pesa o que a pesquisa mostra diante da história de cada pessoa.
Por que olhar além do cérebro
Depressão, ansiedade e insônia raramente têm uma razão só. Tireoide lenta, falta de vitamina B12 ou de ferro, sono desregulado, intestino irritado e medicamentos em uso podem somar peso ao quadro, e um puxa o outro. Por isso, na Clínica Higashi Londrina, a EMTr caminha junto com a avaliação desses fatores, guiada pelo lema que acompanha a clínica desde 1971: equilíbrio global da saúde.
Outra técnica do serviço, a estimulação do nervo vago, age justamente na ponte entre o corpo e o cérebro. O artigo sobre o nervo vago e a forma como ele é estimulado explica essa ligação com a ansiedade, o descanso e a digestão.
Quem precisa de cuidado antes de fazer EMTr?
Quem tem implantes metálicos na cabeça, implante coclear, marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados e quem tem histórico de convulsões precisa de avaliação cuidadosa antes da EMTr, e esses pontos são revistos na primeira consulta, antes de qualquer sessão.
- Implantes metálicos na cabeça, como clipes, placas ou fragmentos, perto da área a ser estimulada.
- Implante coclear e outros dispositivos com ímã, que podem se deslocar ou perder a magnetização com o pulso[1].
- Marca-passo e outros aparelhos eletrônicos implantados, cujo funcionamento pode ser afetado pelo campo magnético[1].
- Histórico de convulsões ou epilepsia e lesões no cérebro, que aumentam o risco de convulsão com o estímulo[8].
- Medicamentos em uso e mudanças recentes de dose.
- Perda auditiva ou zumbido já existentes, que pedem atenção redobrada com a proteção dos ouvidos[1].

Qual é o risco de convulsão?
A convulsão é o efeito mais sério descrito com a EMTr e é rara. Um levantamento com 174 laboratórios e clínicas, que somaram cerca de 318 mil sessões entre 2012 e 2016, estimou menos de 1 convulsão a cada 60 mil sessões quando a estimulação seguiu as diretrizes publicadas, em pessoas sem fatores de risco[8]. O mesmo estudo mostrou que o risco é maior em quem tem fatores de risco, como lesões cerebrais e epilepsia, e que as convulsões foram mais prováveis nas primeiras sessões[8].
“A EMTr aplicada dentro das diretrizes publicadas, em pessoas sem fatores de risco, parece causar menos de 1 convulsão a cada 60.000 sessões.”
Lerner, Wassermann e Tamir, 2019 [8]
Por isso, a triagem vem antes do plano, a intensidade é calibrada pelo limiar de cada pessoa e a checagem antes de cada sessão pergunta sobre sono, álcool e remédios.
Quais são os mitos mais comuns sobre a EMTr?
Os mitos mais comuns sobre a EMTr dizem que ela é um choque, que apaga a memória e que a sensação na hora mostra se o tratamento está funcionando, e nenhuma dessas ideias corresponde ao que os estudos descrevem.
“É choque na cabeça”
A EMTr usa um campo magnético. A pequena corrente que ele induz fica restrita aos neurônios logo abaixo da bobina, e o objetivo nunca é provocar convulsão. Não há anestesia nem sedação: você fica acordado e pode conversar durante toda a sessão.
“Apaga a memória”
Uma metanálise de 18 estudos controlados na depressão comparou testes de memória e raciocínio entre quem recebeu a estimulação real e quem recebeu a simulada. Na maior parte das tarefas não houve diferença, e em algumas de atenção e velocidade houve uma pequena melhora com a estimulação real[9]. As diretrizes de segurança também concluem que a EMTr não parece causar efeitos duradouros sobre a percepção ou o raciocínio em pessoas saudáveis[1].
“Se não sinto nada de diferente na hora, não está funcionando”
O que se sente durante a sessão, o clique e as batidas, é o efeito do pulso sobre a pele e os músculos do couro cabeludo. Não é um termômetro da resposta ao tratamento, que é observada ao longo da série, nas reavaliações.
Que perguntas levar para a consulta sobre EMTr?
As perguntas mais úteis sobre EMTr são as que explicam a escolha do protocolo, a forma de acompanhar a resposta e os cuidados do seu caso. Leve as que fizerem sentido para você:
- Qual área será estimulada e qual protocolo será usado: alta frequência, baixa frequência ou theta burst? Por quê?
- Como será medido o meu limiar motor, e quando ele pode ser conferido de novo?
- Os meus medicamentos, implantes ou o meu histórico de convulsões mudam alguma coisa no plano?
- Como a resposta será acompanhada, e quando acontece a primeira reavaliação?
- Como a EMTr se combina com o tratamento que eu já faço e com a avaliação de hormônios, sono e nutrientes?
- O que acontece quando a série terminar?
O que levar
A lista dos medicamentos em uso, com as doses; relatórios de tratamentos anteriores; exames recentes; e informações sobre cirurgias na cabeça, implantes ou aparelhos no corpo.
Perguntas frequentes sobre a sessão de EMTr
Como é uma sessão de EMTr?
Você fica sentado e acordado, com protetor auricular. A bobina é apoiada sobre o ponto da cabeça definido no plano e emite séries de pulsos magnéticos, com som de clique e batidas leves no couro cabeludo. Na primeira sessão, mede-se antes o limiar motor, que define a intensidade. Ao final, você volta às atividades do dia.
A EMTr dói?
A EMTr não precisa de anestesia. O que se sente são batidas leves no couro cabeludo e, às vezes, desconforto no ponto da bobina. Dor de cabeça leve e dor no pescoço podem aparecer depois e costumam ser passageiras. Avise a equipe: posição e intensidade podem ser ajustadas.
Quantas sessões de EMTr são necessárias?
Depende da condição, do protocolo e da resposta de cada pessoa. Na depressão, os protocolos mais estudados usam sessões nos dias úteis por 4 a 6 semanas. Na Clínica Higashi Londrina, o número e o ritmo das sessões são definidos no plano e revistos nas reavaliações.
Quem precisa de cuidado antes de fazer EMTr?
Pessoas com implantes metálicos na cabeça, implante coclear, marca-passo ou outros aparelhos eletrônicos implantados e com histórico de convulsões ou epilepsia. Esses pontos, junto com os medicamentos em uso, são avaliados na primeira consulta, antes de qualquer sessão.
Onde fazer EMTr em Londrina?
Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden, em Londrina, como parte do serviço de neuromodulação. O atendimento é particular, com agendamento pelo WhatsApp (43) 99930-0218 ou pelo telefone (43) 3323-8744.
Referências
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- Lefaucheur JP, Aleman A, Baeken C, Benninger DH, Brunelin J, Di Lazzaro V, et al. Evidence-based guidelines on the therapeutic use of repetitive transcranial magnetic stimulation (rTMS): an update (2014-2018). Clin Neurophysiol. 2020;131(2):474-528. doi:10.1016/j.clinph.2019.11.002
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As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.




