Em resumo

  • Menopausa: é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses seguidos sem ciclos, e costuma acontecer entre os 45 e os 55 anos [1].
  • Na Clínica Higashi Londrina, o cuidado pode começar ainda na perimenopausa e seguir pelos anos seguintes, com endocrinologia, nutrologia e o check-up funcional da primeira consulta.
  • Sintomas: calorões, suor noturno, sono ruim, mudanças no ânimo, memória, libido, secura vaginal, dores articulares e pele. Um sintoma costuma puxar o outro.
  • Metabolismo, ossos e músculo: a gordura tende a ir para a barriga, o colesterol sobe e a perda óssea acelera nos anos em torno da última menstruação [6,7].
  • Terapia hormonal: é o tratamento mais eficaz para os calorões. Antes dos 60 anos ou até 10 anos da menopausa, e sem contraindicações, a relação entre benefício e risco costuma ser favorável [8].
  • Além dos hormônios: sono, treino de força, alimentação, intestino e manejo do estresse fazem parte do plano em todas as fases, com ou sem terapia hormonal.

O que é a menopausa e como saber que ela chegou?

A menopausa é a última menstruação da vida e só é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar, quando não há outra explicação para a falta de ciclos [1]. Ela acontece porque os ovários param de liberar óvulos e reduzem muito a produção de estrogênio e progesterona. No mundo todo, a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos [1].

A dúvida mais comum na consulta é "isso que estou sentindo já é a menopausa?". Muitas vezes, a resposta é "é a transição para ela". Os sintomas costumam começar anos antes da última menstruação, ainda com ciclos, e alguns continuam depois. Por isso, a menopausa é um dia no calendário, mas o cuidado acompanha um período bem mais longo.

Perimenopausa, climatério e pós-menopausa: o nome de cada fase

  • Perimenopausa (ou transição menopausal): os ciclos começam a variar. Na fase inicial, a duração dos ciclos passa a mudar sete dias ou mais de um mês para o outro; na fase final, aparecem intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar [2].
  • Menopausa: a última menstruação, reconhecida só depois de 12 meses sem ciclos.
  • Pós-menopausa: todos os anos que vêm depois da última menstruação. Nos primeiros anos, as mudanças hormonais ainda são intensas; depois, o corpo se estabiliza em um novo patamar.
  • Climatério: nome usado no Brasil para todo o período de transição, da perimenopausa aos anos seguintes à menopausa.

Como a menopausa é reconhecida

Na maioria das mulheres acima dos 45 anos, a menopausa é reconhecida pela história: a data da última menstruação, o padrão dos ciclos e os sintomas. Na perimenopausa, o FSH e o estradiol sobem e descem de um mês para o outro, e um exame isolado pode parecer normal mesmo com a transição em curso [2].

Os exames ganham peso quando a menstruação para antes dos 45 anos, quando o útero foi retirado, quando um anticoncepcional hormonal esconde o padrão dos ciclos ou quando os sintomas podem ter outra origem, como a tireoide ou uma anemia.

FaseO que aconteceO que costuma aparecerFoco do cuidado
PerimenopausaCiclos irregulares e hormônios oscilandoCalorões iniciais, sono pior, irritabilidade, sangramentos diferentes do habitualEntender os sintomas, rever tireoide, ferro e glicose, avaliar se a terapia hormonal faz sentido
MenopausaÚltima menstruação, confirmada após 12 mesesCalorões e suor noturno costumam estar no augeDecidir o tratamento dos sintomas e registrar o ponto de partida de ossos, músculo e metabolismo
Primeiros anos da pós-menopausaEstrogênio baixo de forma contínuaPerda óssea mais rápida, gordura abdominal, colesterol em alta, secura vaginalProteger ossos e músculo, acompanhar colesterol, glicose e pressão, ajustar a terapia
Pós-menopausa tardiaNovo equilíbrio hormonalSintomas geniturinários, perda de massa muscular, risco cardiovascular maiorReavaliar riscos e benefícios do tratamento, manter força, sono e alimentação

Menopausa antes dos 40 anos: o que é a insuficiência ovariana prematura?

A insuficiência ovariana prematura é a perda da função dos ovários antes dos 40 anos, e estudos recentes estimam que ela atinja cerca de 3,5% das mulheres [3]. Quando a menstruação para entre os 40 e os 45 anos, fala-se em menopausa precoce.

A diretriz internacional sobre o tema considera o diagnóstico quando há ciclos ausentes ou irregulares por pelo menos quatro meses e FSH acima de 25 UI/L [3]. As causas incluem fatores genéticos, doenças autoimunes, cirurgias nos ovários e tratamentos como quimioterapia e radioterapia, e em parte das mulheres nenhuma causa é encontrada.

Por que o cuidado muda quando a menopausa chega cedo

Quando os ovários param cedo, o corpo passa mais anos sem estrogênio, e isso pesa sobre os ossos, o coração e o cérebro. Por isso, a diretriz recomenda a terapia hormonal até a idade habitual da menopausa, mesmo para quem não tem sintomas, desde que não haja contraindicação [3]. A menopausa natural mais cedo também é vista como um marcador de risco cardiovascular maior [6], o que pede atenção a pressão, colesterol e glicose.

A função dos ovários pode oscilar nesses casos, e gravidez e contracepção são conversadas junto com o ginecologista.

Quais são os sintomas da menopausa?

Os sintomas da menopausa mais conhecidos são os calorões e o suor noturno, mas a transição também pode mexer com o sono, o ânimo, a memória, a libido, a lubrificação vaginal, a bexiga, as articulações e a pele. Cada mulher vive uma combinação diferente, e a intensidade varia muito.

Calorões e suor noturno

Os calorões, chamados de sintomas vasomotores, são ondas de calor que sobem pelo peito, pescoço e rosto, com vermelhidão, suor e às vezes palpitação, seguidas de frio. A queda do estrogênio estreita a faixa de temperatura que o cérebro considera confortável, e pequenas variações já disparam a reação de resfriamento do corpo. O Dr. Leonardo Higashi fala sobre os calorões da menopausa em um vídeo do canal da clínica.

Eles costumam durar mais do que se imagina. No estudo SWAN, que acompanhou mulheres por mais de uma década, os calorões frequentes duraram em média 7,4 anos no total e 4,5 anos depois da última menstruação; quem começou a senti-los ainda com ciclos regulares teve a duração mais longa [4]. Tabagismo, estresse percebido, ansiedade e sintomas depressivos no início dos calorões também se associaram a uma duração maior [4].

Sono

O sono costuma piorar por dois caminhos: o calorão da madrugada acorda, e a insônia pode aparecer mesmo sem calor. Ronco e pausas na respiração durante o sono podem surgir ou piorar nessa fase e merecem investigação, porque também deixam o dia cansativo e mexem com a pressão e a glicose.

Ânimo, ansiedade e depressão

Irritabilidade, choro fácil, ansiedade e desânimo são queixas frequentes na perimenopausa. Mulheres que já tiveram depressão ou sintomas fortes antes da menstruação costumam precisar de atenção especial nessa fase. Nem toda tristeza é hormonal, e a consulta ajuda a separar uma coisa da outra.

Memória e concentração

Esquecer palavras, perder o fio da conversa e ter dificuldade de concentração são queixas comuns, às vezes chamadas de "névoa mental". Elas costumam estar ligadas ao sono ruim e aos calorões, e a avaliação também olha tireoide, vitamina B12, ferro e glicose antes de atribuir tudo à menopausa.

Libido e vida sexual

A libido depende de hormônios, mas também de sono, cansaço, autoestima, relacionamento e conforto físico. Quando a relação dói por causa da secura vaginal, o desejo tende a cair junto.

Síndrome geniturinária da menopausa

A síndrome geniturinária da menopausa reúne secura, ardor e coceira vaginal, dor na relação, urgência para urinar e infecções urinárias de repetição, causadas pela falta de estrogênio nos tecidos da vagina, da vulva e da bexiga. A diretriz da The Menopause Society observa que ela é provavelmente pouco diagnosticada e pouco tratada [5]. Hidratantes e lubrificantes vaginais ajudam nos casos leves, e o estrogênio vaginal em baixa dose é uma opção bem estudada quando os sintomas persistem [5,8].

Articulações, músculos, pele e cabelo

Dores e rigidez nas articulações, sobretudo ao acordar, aparecem com frequência na transição. A pele tende a ficar mais fina e seca, e o cabelo pode mudar de textura.

Por que a gordura vai para a barriga e o colesterol sobe na menopausa?

Na transição menopausal, a queda do estrogênio muda a forma como o corpo guarda gordura e lida com a glicose e o colesterol: a gordura central e visceral aumenta e a massa magra diminui de forma mais acentuada, e o LDL e a apolipoproteína B sobem, uma alta que a American Heart Association atribui mais à menopausa do que ao envelhecimento [6].

Gordura visceral e resistência à insulina

A gordura visceral, a que fica dentro do abdômen, entre os órgãos, é a mais ativa do ponto de vista metabólico. Ela libera substâncias inflamatórias que deixam músculos e fígado menos sensíveis à insulina. O pâncreas compensa produzindo mais insulina, a glicose pode continuar normal por um tempo e, aos poucos, aparecem glicemia no limite, triglicerídeos altos e gordura no fígado. A perda de músculo agrava o quadro, porque o músculo é o principal destino da glicose.

Colesterol e coração

Antes da menopausa, o estrogênio ajuda a manter o colesterol e os vasos em condição mais favorável. Depois dela, o risco cardiovascular tende a subir. A mesma declaração da American Heart Association aponta que, nessa fase, um HDL alto nem sempre reflete boa saúde cardiovascular, e trata a meia-idade como um momento para começar a prevenção mais cedo [6].

O peso da balança engana

Muitas mulheres dizem: "meu peso é o mesmo, mas a roupa não serve mais". É a redistribuição: menos músculo, mais gordura abdominal, com pouca mudança no total. Por isso, a bioimpedância feita na clínica mostra mais do que a balança: separa músculo, gordura e água e permite comparar ao longo dos anos. Quando a perda de peso também é objetivo, o emagrecimento com acompanhamento médico cuida para que a gordura diminua sem sacrificar a massa muscular.

O que acontece com os ossos e os músculos depois da menopausa?

Os ossos perdem massa mais depressa nos anos em torno da última menstruação: no estudo SWAN, a fase de perda mais rápida foi de cerca de um ano antes a dois anos depois dela, e a coluna perdeu, em dez anos, cerca de 10% da densidade mineral [7]. Essa perda não dói e não dá sinal, e por isso precisa ser procurada antes da primeira fratura.

Laudo de densitometria óssea com gráfico da densidade mineral do osso por idade
A densitometria mostra como a densidade dos ossos se compara à esperada para a idade e ajuda a decidir o cuidado depois da menopausa.

Como os ossos são avaliados

A densitometria óssea mede a densidade mineral da coluna e do quadril. O resultado é lido junto com a idade, o histórico de fraturas, o peso, o uso de corticoides, o tabagismo, o histórico familiar e os níveis de vitamina D e cálcio. A terapia hormonal previne a perda óssea e reduz fraturas [8], mas não é o caminho para todas: há outros tratamentos para os ossos, e a escolha depende do conjunto.

Músculo: o tecido que sustenta o metabolismo

A perda de massa e de força muscular com a idade se chama sarcopenia, e a menopausa tende a acelerá-la. Menos músculo significa menos força para subir escadas, mais risco de queda e uma glicose mais difícil de controlar. O músculo responde ao treino em qualquer idade, e o ganho de força é uma das metas mais concretas do acompanhamento.

Vitamina D, cálcio e proteína

Vitamina D baixa, pouca proteína na alimentação e cálcio insuficiente prejudicam ao mesmo tempo os ossos e os músculos. Esses pontos entram na avaliação nutrológica, junto com a absorção intestinal.

Como calorões, sono, estresse e metabolismo se influenciam na menopausa?

Na menopausa, os sintomas raramente andam sozinhos: o calorão da madrugada piora o sono, o sono ruim aumenta a fome e o cansaço, o cansaço reduz o movimento, e menos movimento acelera a perda de músculo e a resistência à insulina. Um puxa o outro, e tratar só uma ponta da cadeia costuma trazer pouco resultado.

Um exemplo do dia a dia

  1. A noite Os calorões acordam duas ou três vezes, e o sono não volta com facilidade.
  2. A manhã seguinte O cansaço pede café e doce, e o cortisol do estresse já está alto antes das nove horas.
  3. A semana Sem energia, o treino é adiado. A irritação aumenta, a paciência diminui.
  4. Os meses O músculo diminui, a gordura abdominal aumenta, a glicose sobe um pouco e as articulações reclamam mais.
  5. O resultado A sensação de "estou fazendo tudo igual e meu corpo mudou", que é uma das frases mais ouvidas no consultório.

Por isso, a avaliação olha para o conjunto, e não só para o hormônio em queda. É a forma de cuidar que a clínica resume no lema "equilíbrio global da saúde", com a abordagem integrativa e funcional somada à endocrinologia e à nutrologia. Entram na conversa:

  • hormônios que conversam entre si: estrogênio, progesterona, insulina, tireoide e cortisol;
  • intestino e microbiota, que participam da absorção de nutrientes, da inflamação e do metabolismo do estrogênio;
  • sono e horário das refeições;
  • estresse e sistema nervoso autônomo, que também influenciam os calorões e a pressão;
  • inflamação e estresse oxidativo;
  • exposição a plásticos, agrotóxicos e metais;
  • deficiências de vitaminas e minerais, como vitamina D, B12, ferro e magnésio;
  • medicamentos em uso que podem atrapalhar o sono, o peso ou a glicose;
  • o histórico de dietas e o efeito sanfona dos anos anteriores.

Quando o sintoma parece da menopausa, mas tem outra origem

Um erro comum é atribuir tudo à menopausa. Cansaço, ganho de peso e queda de cabelo podem vir de hipotireoidismo; palpitações e calor, de hipertireoidismo; desânimo e falta de ar, de anemia; formigamento e esquecimento, de vitamina B12 baixa; sonolência diurna, de apneia do sono. Essas condições ficam mais frequentes na mesma idade, e a avaliação confirma a origem antes de tratar.

O check-up funcional dentro da consulta

Toda primeira consulta da Clínica Higashi Londrina inclui bioimpedância InBody e Seca, calorimetria indireta, avaliação do sistema nervoso autônomo, espirometria e teste respiratório para SIBO, feitos na própria clínica. Na menopausa, eles ajudam a medir músculo e gordura, o gasto de energia em repouso, a resposta ao estresse e a saúde intestinal, os mesmos fatores que se influenciam nessa fase.

Terapia hormonal na menopausa: para quem, quando e como a indicação é avaliada

A terapia hormonal da menopausa repõe estrogênio, associado à progesterona quando a mulher tem útero, e é o tratamento mais eficaz para os calorões e para a síndrome geniturinária, além de prevenir a perda óssea e as fraturas [8]. As diretrizes da The Menopause Society (antiga North American Menopause Society), da International Menopause Society e o consenso brasileiro da SOBRAC com a FEBRASGO seguem a mesma linha geral [8–10].

Quem pode se beneficiar

  • Mulheres com calorões e suor noturno que atrapalham o sono, o trabalho ou a vida social.
  • Mulheres com síndrome geniturinária, muitas vezes com tratamento local, aplicado na vagina.
  • Mulheres com risco aumentado de perda óssea, especialmente nos primeiros anos depois da menopausa.
  • Mulheres com insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce, até a idade habitual da menopausa [3].

A janela de oportunidade

O momento de começar muda a balança entre benefício e risco. Para mulheres com menos de 60 anos ou com até 10 anos desde a menopausa, sem contraindicações, a relação é favorável para tratar calorões incômodos e prevenir a perda óssea; começar depois disso traz riscos absolutos maiores de doença coronariana, AVC, trombose e demência [8]. A declaração da American Heart Association também associa o início antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos a um risco cardiovascular menor [6]. Esse momento de começar é explicado pelo Dr. Leonardo Higashi no vídeo sobre a janela de oportunidade no tratamento da menopausa.

Essa ideia nasceu da releitura do estudo WHI, cuja análise por idade mostrou um perfil mais favorável nas mulheres mais jovens. Os autores concluíram que a terapia não deve ser usada para prevenir doenças crônicas, mas é apropriada para tratar sintomas em parte das mulheres [11].

Como a indicação é avaliada

  1. Os sintomas e o quanto eles atrapalham A intensidade dos calorões, do sono ruim e dos sintomas geniturinários, e o que a mulher espera do tratamento.
  2. A idade e o tempo desde a última menstruação O ponto da janela de oportunidade em que cada mulher está.
  3. O histórico pessoal Câncer de mama ou de endométrio, trombose, AVC, infarto, doença no fígado e sangramento vaginal sem explicação mudam ou impedem a indicação.
  4. O histórico familiar Câncer de mama, trombose e doença cardiovascular em parentes próximos.
  5. O risco cardiovascular e metabólico Pressão, colesterol, glicose, peso e tabagismo.
  6. O rastreamento em dia Mamografia e exames ginecológicos, feitos com o ginecologista.

Os riscos que entram na conversa

  • Mama: o risco de câncer de mama varia com o tipo de hormônio, a associação com progesterona e o tempo de uso. Por isso, a mamografia em dia e o histórico familiar fazem parte da decisão, e a indicação é revista nos retornos [8]. A história dessa preocupação e o que mudou desde os primeiros estudos estão no vídeo do Dr. Leonardo Higashi sobre terapia hormonal e risco de câncer de mama.
  • Trombose: o estrogênio por via oral aumenta o risco de trombose venosa. Em um grande estudo britânico, o estrogênio aplicado na pele, em gel ou adesivo, não se associou a esse aumento [12], o que pesa na escolha da via para quem tem mais risco.
  • Coração e AVC: o risco depende sobretudo do momento de início, da idade e da saúde dos vasos quando o tratamento começa [6,8].
  • Útero: o estrogênio sozinho estimula o endométrio. Quem tem útero recebe progesterona junto, para protegê-lo.

Dose, via e tempo de uso

O hormônio pode ser usado por via oral, na pele (gel ou adesivo) ou na vagina, em doses e esquemas diferentes. A escolha depende dos sintomas, dos riscos e da preferência da mulher. Não existe uma idade fixa para parar: depois dos 60 ou 65 anos, a decisão de continuar é tomada caso a caso, com reavaliação dos benefícios e dos riscos [8].

Que cuidados além dos hormônios fazem diferença na menopausa?

Sono, treino de força, alimentação, intestino e manejo do estresse fazem diferença em todas as fases da menopausa, com ou sem terapia hormonal, porque atuam ao mesmo tempo sobre ossos, músculo, metabolismo, ânimo e qualidade de vida.

Quando a terapia hormonal não é indicada ou não é desejada

Para os calorões, a diretriz da The Menopause Society sobre tratamentos não hormonais aponta a terapia cognitivo-comportamental e a hipnose clínica entre as opções com melhor evidência, ao lado de alguns medicamentos não hormonais, escolhidos na consulta; a perda de peso aparece com evidência menor [13]. A mesma diretriz não recomenda suplementos e fitoterápicos para os calorões, por falta de benefício comprovado [13].

Um detalhe que surpreende: exercício e ioga não reduziram os calorões nos estudos analisados [13]. Isso não diminui a importância da atividade física, que continua essencial para ossos, músculo, glicose, sono e ânimo. Só muda a expectativa sobre o calorão.

Os pilares do cuidado

Sono

  • Horário regular para deitar e acordar
  • Quarto fresco e roupas leves para as noites com calorão
  • Investigar ronco, pausas na respiração e insônia persistente

Força e movimento

  • Treino de força pelo menos algumas vezes por semana, com progressão
  • Exercícios com impacto, quando as articulações permitem, para os ossos
  • Equilíbrio e mobilidade para reduzir o risco de quedas

Alimentação

  • Proteína distribuída ao longo do dia para preservar o músculo
  • Cálcio da comida e vitamina D avaliada no exame
  • Fibras e menos ultraprocessados para glicose e colesterol

Intestino e estresse

  • Intestino regular e investigação de inchaço e desconforto
  • Pausas e atividades que reduzem o estresse do dia
  • Atenção ao uso de álcool para dormir ou relaxar
Perna fazendo exercício de fortalecimento com faixa elástica
Exercícios de força, como os feitos com faixa elástica, ajudam a preservar o músculo e os ossos depois da menopausa.

O cigarro acelera a perda óssea, aumenta o risco cardiovascular e se associou a calorões mais duradouros [4], e o álcool à noite fragmenta o sono.

A avaliação metabólica da nutrologia ajuda a ajustar proteína, cálcio, vitamina D e energia ao gasto real do corpo, e a equipe de nutrição e fisioterapia da clínica dá apoio ao acompanhamento médico quando o plano pede.

Quem acompanha a menopausa e como é o cuidado ao longo dos anos?

O endocrinologista e o ginecologista se complementam na menopausa: o ginecologista cuida da saúde ginecológica e do rastreamento das mamas e do útero, e o endocrinologista avalia os sintomas, a terapia hormonal e as mudanças de peso, glicose, colesterol, tireoide, músculo e ossos que a transição costuma trazer. As decisões sobre hormônios são compartilhadas entre os dois.

Na Clínica Higashi Londrina, o cuidado é conduzido pelo Dr. Leonardo Higashi, MÉDICO, CRM-PR 25067, especialista em Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) e em Nutrologia (RQE 2685), com formação complementar em endocrinologia do envelhecimento e medicina funcional. A seção sobre o cuidado da menopausa na endocrinologia da clínica mostra o que a avaliação inclui.

Como o acompanhamento costuma ser organizado

  1. Primeira consulta

    História dos ciclos e dos sintomas, histórico pessoal e familiar, sono, intestino, estresse, alimentação, exames anteriores e exame físico, com o check-up funcional feito na própria clínica.

  2. Exames complementares

    Glicemia, colesterol, tireoide, vitamina D e outros exames de laboratório que o caso pedir, além da densitometria e do rastreamento ginecológico em dia.

  3. Plano explicado

    Decisão sobre a terapia hormonal ou outras opções, metas de sono, força e alimentação, e o apoio de nutrição e fisioterapia quando o plano pede.

  4. Primeiros retornos

    Mais próximos no início, para avaliar a resposta, os efeitos e ajustar dose, via ou esquema.

  5. Anos seguintes

    Reavaliação periódica dos riscos e benefícios, da composição corporal, dos ossos e do metabolismo, e da decisão de manter, ajustar ou reduzir o tratamento.

Para quem mora fora de Londrina, os retornos podem ser feitos por teleconsulta com o endocrinologista, e o check-up funcional e o exame físico acontecem quando a paciente vem à clínica.

Quais são os mitos mais comuns sobre a menopausa?

Os mitos mais comuns sobre a menopausa são que a terapia hormonal é igual para todas, que ela sempre causa câncer, que engordar é inevitável, que os calorões passam em poucos meses e que basta um exame de sangue para confirmar a fase. Nenhum deles se sustenta quando o caso é olhado de perto.

"A terapia hormonal é igual para todas"

Não é. Tipo de hormônio, dose, via, esquema e momento de início mudam os efeitos e os riscos, e a decisão é feita para cada mulher.

“Os riscos da terapia hormonal diferem conforme o tipo, a dose, a duração do uso, a via de administração e o momento de início…”

The North American Menopause Society, 2022 [8]

"Terapia hormonal sempre causa câncer"

O risco de câncer de mama existe e depende do tipo de esquema e do tempo de uso, mas não é igual para todas as mulheres nem para todos os tratamentos [8]. A avaliação considera o histórico pessoal e familiar, e o rastreamento em dia faz parte do acompanhamento.

"Engordar na menopausa é inevitável"

A tendência de acumular gordura abdominal e perder músculo é real [6], mas não é destino. Força, proteína, sono e controle da glicose mudam essa tendência, e o acompanhamento mede o que está acontecendo com a composição do corpo, e não só com o peso.

"Os calorões passam em poucos meses"

Para muitas mulheres, os calorões frequentes duram anos [4]. Esperar que passem sozinhos costuma custar caro em sono e cansaço.

"Se o exame de hormônio está normal, não é menopausa"

Na perimenopausa, FSH e estradiol oscilam de um mês para o outro [2]. Um exame normal não descarta a transição, e o diagnóstico depende mais da história do que de uma dosagem.

"Hormônio manipulado ou natural é sempre mais seguro"

A diretriz da The Menopause Society chama atenção para preparações manipuladas vendidas como "bioidênticas", que podem variar na dose e não trazem a mesma informação sobre riscos que os produtos padronizados [8]. O que define a segurança é a avaliação, a dose adequada e o acompanhamento.

Que perguntas levar à consulta sobre menopausa?

As perguntas mais úteis para levar à consulta são as que ligam os seus sintomas às decisões: em que fase você está, se a terapia hormonal faz sentido no seu caso, quais riscos pesam mais e o que além dos hormônios pode ajudar.

Perguntas para fazer ao médico

  • Os meus sintomas são da perimenopausa, da menopausa ou podem ter outra causa?
  • Estou dentro da janela em que a terapia hormonal costuma ter relação favorável entre benefício e risco?
  • No meu histórico, o que pesa mais: mama, trombose, coração ou ossos?
  • Qual via e qual esquema fazem mais sentido para mim, e por quê?
  • Como estão a minha massa muscular, a gordura abdominal e a densidade dos ossos?
  • O que posso fazer com sono, treino e alimentação a partir desta semana?
  • Com que frequência vamos reavaliar o tratamento?

O que levar e anotar antes

  • Data aproximada da última menstruação e como estavam os ciclos no último ano
  • Lista dos sintomas, com quando começaram e o quanto atrapalham
  • Exames de sangue dos últimos anos, mamografia, densitometria e preventivo
  • Medicamentos, suplementos e hormônios já usados, com as doses
  • Histórico familiar de câncer de mama, trombose, infarto, AVC, osteoporose e diabetes

Um diário de duas semanas ajuda

Anotar por alguns dias os calorões, as vezes que você acorda à noite e como está o ânimo mostra padrões que a memória não guarda.

Glossário da menopausa

Estes são os termos que mais aparecem nas consultas e nos laudos sobre menopausa, explicados em poucas palavras.

Climatério
Período de transição que vai da perimenopausa aos anos seguintes à menopausa.
Densitometria óssea
Exame que mede a densidade mineral dos ossos da coluna e do quadril, usado para avaliar osteopenia e osteoporose.
FSH
Hormônio da hipófise que estimula os ovários. Sobe quando os ovários respondem menos, mas oscila muito na perimenopausa.
Gordura visceral
Gordura que fica dentro do abdômen, entre os órgãos, ligada à inflamação e à resistência à insulina.
Insuficiência ovariana prematura
Perda da função dos ovários antes dos 40 anos.
Janela de oportunidade
Período, antes dos 60 anos ou até 10 anos da menopausa, em que o início da terapia hormonal costuma ter relação mais favorável entre benefício e risco.
Perimenopausa
Fase de transição, com ciclos irregulares, que antecede a última menstruação.
Progesterona
Hormônio produzido pelos ovários após a ovulação. Na terapia hormonal, protege o útero do estímulo do estrogênio.
Sarcopenia
Perda de massa e de força muscular, mais frequente com a idade e acelerada pela menopausa.
Síndrome geniturinária da menopausa
Conjunto de sintomas vaginais, sexuais e urinários causados pela falta de estrogênio nesses tecidos.
Sintomas vasomotores
Calorões e suor noturno, ligados à mudança no controle da temperatura pelo cérebro.
Terapia hormonal transdérmica
Hormônio aplicado na pele, em gel ou adesivo, que chega ao sangue sem passar primeiro pelo fígado.
Tromboembolismo venoso
Formação de coágulo nas veias, como a trombose das pernas, que pode se deslocar até o pulmão.

Perguntas frequentes sobre menopausa

O que é a menopausa e quando ela acontece?

A menopausa é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses seguidos sem ciclos. Ela acontece porque os ovários deixam de produzir estrogênio e progesterona na quantidade de antes. A menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, e os sintomas podem começar anos antes, ainda na perimenopausa.

Quais são os primeiros sinais de que a menopausa está chegando?

Os primeiros sinais costumam ser ciclos irregulares, mais curtos ou mais longos, calorões, suor noturno, sono pior e irritabilidade. Cansaço e ganho de peso também podem vir da tireoide ou de anemia, e a avaliação confirma a origem.

Quanto tempo duram os calorões da menopausa?

Os calorões frequentes costumam durar anos. Em um grande estudo que acompanhou mulheres por mais de uma década, eles duraram em média 7,4 anos no total, e por mais tempo em quem começou a senti-los ainda com ciclos regulares. Existem tratamentos hormonais e não hormonais para reduzi-los.

Quem pode fazer terapia hormonal na menopausa?

Em geral, mulheres com sintomas incômodos, com menos de 60 anos ou com até 10 anos desde a menopausa, e sem contraindicações, como câncer de mama, trombose, AVC, infarto ou sangramento vaginal sem explicação. A decisão é feita na consulta, depois de avaliar sintomas, histórico pessoal e familiar e exames, e é revista ao longo do tempo.

A terapia hormonal aumenta o risco de câncer de mama?

O risco existe e varia com o tipo de hormônio, a associação com progesterona e o tempo de uso. Por isso, a mamografia em dia e o histórico familiar fazem parte da decisão, e a indicação é revista nos retornos. Para muitas mulheres dentro da janela de oportunidade, os benefícios superam os riscos.

Na menopausa, devo procurar endocrinologista ou ginecologista?

Os dois se complementam. O ginecologista cuida da saúde ginecológica e do rastreamento das mamas e do útero. O endocrinologista avalia os sintomas, a terapia hormonal e as mudanças de peso, glicose, colesterol, tireoide, músculo e ossos, e as decisões sobre hormônios são compartilhadas.

Dá para cuidar da menopausa sem hormônios?

Sim. Quando a terapia hormonal não é indicada ou não é desejada, existem opções com evidência para os calorões, como a terapia cognitivo-comportamental e alguns medicamentos não hormonais. Sono, treino de força, alimentação e cuidado com o intestino e o estresse fazem parte do plano em todos os casos.

A consulta sobre menopausa pode ser feita por teleconsulta?

Sim. Na Clínica Higashi Londrina, a teleconsulta com o Dr. Leonardo Higashi atende quem mora fora de Londrina e quem já está em acompanhamento. O check-up funcional e o exame físico são feitos quando a paciente vem à clínica.

Retrato do Dr. Leonardo Higashi como revisor médico dos artigos da Clínica Higashi Londrina

Revisão médica

Dr. Leonardo Higashi — MÉDICO — CRM-PR 25067

Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) · Nutrologia (RQE 2685) · Clínica Médica (RQE 15389)

Médico especialista em Endocrinologia e Metabologia, Nutrologia e Clínica Médica e diretor médico da Clínica Higashi Londrina desde 2009. Tem formação complementar em medicina funcional, prática ortomolecular, endocrinologia do envelhecimento e medicina esportiva, e é membro e professor da Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa.

Conheça o Dr. Leonardo Higashi
Referências
  1. World Health Organization. Menopause [Internet]. Genebra: WHO; 2024 [publicado em 16 out 2024]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause
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