Em resumo
- O que muda: na menopausa, o peso costuma subir devagar, mas a composição do corpo muda mais depressa: mais gordura, sobretudo na barriga, e menos músculo. A Clínica Higashi Londrina avalia essa mudança na consulta de endocrinologia.
- Por quê: a queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura dentro do abdômen, e a perda de músculo, o sono pior e menos movimento reduzem o gasto de energia.
- Quando: no estudo SWAN, o ganho de gordura acelerou no início da transição e o músculo começou a cair, até cerca de dois anos depois da última menstruação.
- O que ajuda: treino de força, proteína nas refeições, sono, alimentação com menos ultraprocessados e atenção à glicose.
- Terapia hormonal: trata os sintomas e pode favorecer uma distribuição de gordura menos concentrada na barriga; o peso segue o plano completo.
Por que tantas mulheres engordam na menopausa?
Muitas mulheres engordam na menopausa porque duas mudanças acontecem ao mesmo tempo: a idade e a rotina da meia-idade fazem o peso subir aos poucos, e a queda do estrogênio muda a forma como o corpo guarda gordura, com mais gordura no abdômen e menos músculo[1]. A balança mostra só a primeira parte; a segunda aparece na cintura e nos exames.
"Estou comendo igual e engordei" e "o peso é o mesmo, mas a calça não fecha" são frases comuns no consultório, e as duas fazem sentido. Uma revisão da International Menopause Society concluiu que o ganho de peso em si não pode ser atribuído só à transição menopausal, mas que a mudança hormonal dessa fase se associa a mais gordura total e mais gordura abdominal[1].
A menopausa nem sempre muda muito o número da balança, mas muda o que está por trás dele, e é isso que pesa para a glicose, o colesterol e o coração[2]. Este artigo aprofunda o peso e o metabolismo; o guia completo da menopausa, com sintomas, terapia hormonal e o cuidado de cada fase, acompanha a transição inteira.
Fatores que costumam se somar nessa fase
- Hormônios: o estrogênio cai e, às vezes, a tireoide e a insulina também entram na história.
- Músculo: menos massa magra significa menos gasto de energia e menos espaço para guardar a glicose das refeições.
- Movimento e rotina: cansaço, dores nas articulações, estresse e refeições fora de hora reduzem a atividade física e bagunçam a alimentação.
- Histórico de dietas: cada ciclo de perder e recuperar peso costuma levar um pouco de músculo, como explica o texto sobre efeito sanfona.
Por que a gordura vai para a barriga na menopausa?
A gordura vai para a barriga na menopausa porque a queda do estrogênio muda o lugar onde o corpo guarda energia: uma parte maior da gordura passa a se acumular no tronco e dentro do abdômen, entre os órgãos, a chamada gordura visceral[1][3].
Num estudo que acompanhou mulheres por quatro anos com tomografia do abdômen, todas ganharam gordura sob a pele da barriga com a idade, mas só as que chegaram à menopausa tiveram aumento da gordura visceral, e nelas o estrogênio caiu de forma clara[3].

Gordura visceral: a que mais conversa com o metabolismo
A gordura visceral é a mais ativa do ponto de vista metabólico. Ela libera substâncias inflamatórias e ácidos graxos que deixam o fígado e os músculos menos sensíveis à insulina. A American Heart Association descreve a transição menopausal como uma fase de mudanças desfavoráveis na composição do corpo, no colesterol e na saúde dos vasos, que aumentam o risco cardiovascular nos anos seguintes[2].
Resistência à insulina: um puxa o outro
A gordura abdominal e a resistência à insulina se alimentam. A gordura visceral piora a ação da insulina; a insulina alta facilita guardar mais gordura no abdômen; e a perda de músculo agrava o quadro, porque o músculo é o principal destino da glicose depois das refeições. Como a glicemia de jejum pode seguir normal enquanto a insulina já está alta, a avaliação olha também a insulina, a hemoglobina glicada, os triglicerídeos, as enzimas do fígado e a medida da cintura.
Quando o ganho de gordura acelera e quando ele desacelera?
O ganho de gordura acelera no início da transição menopausal e desacelera cerca de dois anos depois da última menstruação: no estudo SWAN, que acompanhou mulheres por muitos anos, a velocidade de ganho de gordura dobrou no começo da transição, a massa magra passou a cair e as duas curvas ficaram estáveis a partir de dois anos depois da última menstruação[4].
Isso explica a frase "o peso é o mesmo, mas o corpo mudou": o peso vinha subindo em linha reta desde antes da transição e não acelerou quando ela começou[4]. A soma de gordura e músculo continuou crescendo no mesmo ritmo; o que mudou foi a proporção entre os dois.
“Os ganhos acelerados de massa gorda e as perdas de massa magra são fenômenos relacionados à transição menopausal.”
Greendale e colaboradores, estudo SWAN, 2019 [4]
O que isso muda na prática
- A transição é uma janela. É nesse período que a composição do corpo muda mais depressa.
- Começar cedo faz diferença. Força, proteína e sono iniciados na perimenopausa atuam enquanto a mudança acontece. O texto sobre os primeiros sinais da perimenopausa ajuda a reconhecer essa fase.
- A balança atrasa a percepção. Quem acompanha só o peso costuma notar a mudança quando a cintura e os exames já mudaram.
O que o estudo SWAN observou em cada fase[4] e onde o cuidado se concentra:
| Fase | Gordura | Músculo | Peso na balança | Foco do cuidado |
|---|---|---|---|---|
| Antes da transição, com ciclos regulares | Sobe aos poucos | Sobe aos poucos | Sobe aos poucos | Registrar o ponto de partida |
| Transição, com ciclos irregulares | Sobe mais rápido | Começa a cair | Segue no mesmo ritmo | Força, proteína, sono e glicose |
| Até cerca de dois anos depois da última menstruação | Continua subindo | Continua caindo | Segue no mesmo ritmo | Manter o plano e reavaliar a composição |
| Anos seguintes | Estabiliza | Estabiliza | Tende a ficar estável | Preservar músculo, ossos e metabolismo |
O metabolismo fica mais lento na menopausa?
O gasto de energia em repouso tende a cair na menopausa, e a perda de músculo, a redução da atividade física e o sono pior se somam à queda do estrogênio para explicar isso[3]. A mudança existe e, em boa parte, pode ser medida e trabalhada.
No estudo que mediu o gasto de energia em câmara metabólica, o gasto durante o sono caiu com a idade em todas as mulheres, mas caiu mais nas que chegaram à menopausa; nelas, o uso de gordura como combustível também diminuiu. A atividade física começou a cair cerca de dois anos antes da menopausa e continuou baixa[3].
O papel do músculo
O músculo gasta energia mesmo parado e é onde boa parte da glicose é guardada depois das refeições. Quando a massa magra cai na transição[4], o corpo passa a gastar um pouco menos e a lidar pior com a glicose. A perda de massa e de força com a idade se chama sarcopenia, e a menopausa tende a acelerar esse caminho; o artigo sobre sarcopenia e perda de músculo com a idade explica como ela é avaliada.
Medir em vez de supor
A calorimetria indireta, parte do check-up funcional da primeira consulta, mede o gasto de energia em repouso pela respiração, em vez de estimá-lo por fórmulas. O texto metabolismo lento existe? detalha o que o exame consegue dizer.
Calorões, sono e fome
As noites interrompidas por calorões pesam por caminhos indiretos. O estudo SWAN mostra que as queixas de sono crescem na perimenopausa e que essa relação passa pelos calorões e pelas mudanças de ânimo[5]. E dormir pouco mexe com o apetite: num estudo com homens jovens, duas noites de sono curto baixaram a leptina, que sinaliza saciedade, subiram a grelina, que estimula a fome, e aumentaram a vontade de comer alimentos ricos em carboidrato[6].
Somam-se o cansaço, que adia o treino, e o estresse. Uma revisão da Mayo Clinic aponta calorões, alterações de ânimo e distúrbios do sono entre as barreiras próprias dessa fase para manter hábitos saudáveis[7]. O Dr. Leonardo Higashi explica de onde vêm os calorões no vídeo sobre a menopausa e os calorões, no canal da clínica.
O que a bioimpedância mostra que a balança não mostra?
A bioimpedância mostra quanto do peso é músculo, gordura e água, como a gordura se distribui pelo corpo e uma estimativa da gordura visceral, o que permite ver a mudança da menopausa mesmo quando a balança fica parada.
Na clínica, a bioimpedância multissegmentada InBody e Seca faz parte do check-up funcional da primeira consulta, junto com a calorimetria indireta, a avaliação do sistema nervoso autônomo, a espirometria e o teste respiratório para SIBO.
Exemplo ilustrativo: o mesmo peso, dois corpos
Duas mulheres com o mesmo peso e a mesma altura: uma manteve o músculo e tem pouca gordura visceral; a outra perdeu músculo e acumulou gordura no abdômen. Na balança, são iguais; na glicose, no colesterol e no plano, costumam ser diferentes.
O que observar no laudo
- Massa muscular total e dos braços e pernas, que mostra se o músculo está sendo preservado
- Gordura corporal e estimativa da gordura visceral
- Distribuição por segmento: tronco, braços e pernas
- A comparação com o exame anterior, que diz mais do que um resultado isolado
Em quem está emagrecendo, ela mostra se a perda vem da gordura ou se está levando músculo junto.
O que ajuda a controlar o ganho de peso na menopausa?
O que mais ajuda no ganho de peso da menopausa é preservar e construir músculo, com treino de força e proteína distribuída nas refeições, somado a um sono mais regular, alimentação com mais fibras e menos ultraprocessados e atenção à glicose. Esses cuidados atuam juntos sobre a gordura abdominal, os ossos e o metabolismo.
Treino de força
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos façam, além da atividade aeróbica, exercícios de fortalecimento de intensidade moderada ou maior, com os grandes grupos musculares, em dois ou mais dias da semana[8]. Na menopausa, a força ganha prioridade porque responde justamente à perda de massa magra da transição. Pesos, aparelhos, faixas elásticas ou o peso do próprio corpo servem, com progressão. Com dor nas articulações, a fisioterapia da clínica dá apoio ao acompanhamento médico para adaptar os exercícios.
Proteína distribuída nas refeições
O músculo precisa de proteína para responder ao treino. Para pessoas acima de 65 anos, um grupo internacional de especialistas em envelhecimento recomenda pelo menos 1,0 a 1,2 g de proteína por quilo de peso por dia, e mais para quem treina[9]. Na meia-idade, a quantidade é definida na avaliação, e distribuí-la entre as refeições ajuda a chegar lá. O artigo sobre proteína ao longo do dia para preservar o músculo mostra como montar as refeições.
Sono
Tratar os calorões e organizar o sono costuma mudar o apetite e a disposição para treinar: horário regular, quarto fresco, menos álcool à noite e investigação de ronco entram no plano.
Alimentação
Verduras, legumes, frutas, fibras, proteína em todas as refeições e menos ultraprocessados e açúcar ajudam a glicose e o colesterol. Dietas muito restritivas costumam levar músculo junto com a gordura, o que trabalha contra a mudança da menopausa. O plano alimentar é individual, ajustado ao gasto medido na calorimetria, e a nutrição da clínica dá apoio ao acompanhamento médico.
Os fatores que passam despercebidos
A avaliação olha também a tireoide, o intestino, a vitamina D, o ferro e a B12, o estresse e o sistema nervoso autônomo, a inflamação, a exposição a plásticos e agrotóxicos, os medicamentos em uso e o histórico de dietas. Esses fatores se influenciam, e cuidar de um só costuma trazer pouco resultado. É o jeito de cuidar que a clínica resume no lema "equilíbrio global da saúde".
A terapia hormonal ajuda a emagrecer na menopausa?
A terapia hormonal trata sintomas como calorões e suor noturno e pode favorecer uma distribuição de gordura menos concentrada no abdômen[1][7].
Uma revisão da Mayo Clinic resume a questão: apesar do efeito favorável sobre a distribuição da gordura, a terapia hormonal não pode ser recomendada como tratamento da gordura abdominal na meia-idade[7]. No estudo Women's Health Initiative, as mulheres que usaram estrogênio com progestagênio por três anos perderam menos massa magra e acumularam menos gordura no tronco do que as que receberam placebo, mas os autores consideraram os efeitos pequenos[10]. Eram mulheres de mais de 60 anos, em média.
Onde a terapia hormonal pode ajudar
- Calorões e suor noturno que atrapalham o sono
- Noites melhores, que facilitam manter o treino e a alimentação
- Tendência a uma gordura menos concentrada no abdômen
O que continua dependendo do plano
- Perda de gordura: alimentação, força, sono e glicose
- Ganho de músculo: treino de força e proteína
- Quem tem contraindicação: plano completo sem hormônios
A decisão sobre hormônios considera a idade, o tempo desde a última menstruação, a intensidade dos sintomas e o histórico pessoal e familiar de câncer de mama, trombose, AVC e doença do coração, e é compartilhada com o ginecologista. O guia da reposição hormonal explica como a indicação é avaliada e acompanhada.
Como é o acompanhamento do ganho de peso na menopausa?
O acompanhamento do ganho de peso na menopausa começa por entender em que fase da transição você está e o que mudou na composição do corpo, e segue com retornos que medem músculo, gordura e metabolismo ao longo do tempo.
Na clínica, esse cuidado faz parte do atendimento de menopausa e hormônios na consulta de endocrinologia, com o Dr. Leonardo Higashi, MÉDICO, CRM-PR 25067, especialista em Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) e em Nutrologia (RQE 2685). As duas especialidades entram na mesma consulta, dos hormônios à alimentação.
Primeira consulta
Ciclos, sintomas, histórico de peso e de dietas, sono, estresse, alimentação, medicamentos em uso e exame físico, com o check-up funcional feito na clínica.
Exames que o caso pedir
Glicose e insulina, colesterol, tireoide, fígado, vitamina D, ferro e B12, e hormônios quando a fase levanta dúvida.
Plano explicado
Força, proteína, sono e alimentação em todos os casos, a decisão sobre terapia hormonal quando os sintomas pedem e o apoio de nutrição e fisioterapia quando o plano precisa.
Retornos
Comparam a bioimpedância com a anterior e ajustam o plano. Para quem mora fora de Londrina, podem ser por teleconsulta.
Perguntas frequentes sobre ganho de peso na menopausa
Por que a mulher engorda na menopausa?
Porque a idade e a rotina fazem o peso subir aos poucos e, ao mesmo tempo, a queda do estrogênio leva gordura para o abdômen e acelera a perda de músculo. Sono pior, calorões e menos atividade física reforçam esse caminho.
Engordar na menopausa é inevitável?
A tendência de ganhar gordura abdominal e perder músculo na transição é real, mas pode ser trabalhada. Treino de força, proteína distribuída nas refeições, sono e cuidado com a glicose atuam justamente sobre essa mudança, e a bioimpedância mostra se o plano está preservando o músculo.
Por que a barriga cresce se o peso não mudou?
Porque, na transição, o corpo troca músculo por gordura e passa a guardar mais gordura no abdômen. No estudo SWAN, o peso não acelerou no início da transição, mas o ganho de gordura acelerou e a massa magra começou a cair. A soma ficou parecida; a proporção mudou.
Qual exercício ajuda mais no ganho de peso da menopausa?
O treino de força ganha prioridade, porque responde à perda de músculo da transição, e a OMS recomenda fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana para adultos. Na prática, vale o exercício que cabe na rotina e progride com segurança.
Onde avaliar o ganho de peso na menopausa em Londrina?
Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden, com o Dr. Leonardo Higashi, MÉDICO, CRM-PR 25067, especialista em Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) e em Nutrologia (RQE 2685). O agendamento é pelo WhatsApp (43) 99930-0218.
Referências
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- Lovejoy JC, Champagne CM, de Jonge L, Xie H, Smith SR. Increased visceral fat and decreased energy expenditure during the menopausal transition. Int J Obes (Lond). 2008;32(6):949-58.
- Greendale GA, Sternfeld B, Huang M, Han W, Karvonen-Gutierrez C, Ruppert K, et al. Changes in body composition and weight during the menopause transition. JCI Insight. 2019;4(5):e124865.
- Kravitz HM, Joffe H. Sleep during the perimenopause: a SWAN story. Obstet Gynecol Clin North Am. 2011;38(3):567-86.
- Spiegel K, Tasali E, Penev P, Van Cauter E. Brief communication: sleep curtailment in healthy young men is associated with decreased leptin levels, elevated ghrelin levels, and increased hunger and appetite. Ann Intern Med. 2004;141(11):846-50.
- Kapoor E, Collazo-Clavell ML, Faubion SS. Weight gain in women at midlife: a concise review of the pathophysiology and strategies for management. Mayo Clin Proc. 2017;92(10):1552-8.
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As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.




