Em resumo

  • O básico: na Clínica Higashi Londrina, vale para todos levar exames antigos e recentes, a lista de medicamentos e suplementos com as doses, relatórios de outros médicos e o histórico do que já tentou.
  • Por situação: cada motivo acrescenta poucos itens, como a data da última menstruação na menopausa ou os laudos de imagem na dor.
  • Exames antigos: em ordem de data, com o laudo completo, incluindo unidade e faixa de referência.
  • Medicamentos: anote como você toma de verdade. Suplementos contam, e alguns interferem em exames.
  • Kit de uma página: uma folha com motivo, perguntas, linha do tempo, lista de uso e evolução dos exames.
  • Sem exames?: tudo bem: o check-up funcional da primeira consulta cria o ponto de partida.

O que levar na primeira consulta com endocrinologista ou nutrólogo?

Na primeira consulta com endocrinologista ou nutrólogo, leve quatro itens básicos: os exames que você já tem, antigos e recentes; a lista de medicamentos e suplementos com nome, dose e horário; relatórios de outros médicos; e o histórico do que já tentou. Depois, acrescente os poucos itens ligados ao motivo da sua consulta. É esse motivo que define o que mais vale a pena juntar.

Na Clínica Higashi Londrina, a primeira consulta é feita pelo Dr. Leonardo Higashi, que avalia o caso pela endocrinologia, pela nutrologia e pela clínica médica ao mesmo tempo. Por isso, quem chega pelo peso também ouve perguntas sobre sono e intestino. O checklist ajuda a responder com dados, e não de memória.

A lista básica está na página da primeira consulta, na parte sobre o que levar, e o guia completo da primeira consulta explica cada etapa do dia. Aqui o foco é outro: o que muda conforme a situação, como organizar exames antigos e como resumir tudo em uma folha.

O que acrescentar de acordo com o motivo da consulta?

Cada motivo de consulta pede de dois a cinco itens a mais. Se você tem mais de um motivo, como peso e cansaço, junte as listas: esses fatores se influenciam, e um puxa o outro.

Se você vem por causa do peso

  • O maior e o menor peso da vida adulta e em que fase cada um aconteceu.
  • Uma linha por tentativa: o que fez, por quanto tempo e o que aconteceu depois de parar.
  • Os medicamentos já usados para o peso, com nome e dose, mesmo os que parou.
  • Laudos de bioimpedância feitos em outros lugares.

O efeito sanfona não é motivo de constrangimento: ele mostra como o corpo respondeu a cada tentativa. Vale ler por que, para quem já tentou de tudo para emagrecer, o histórico faz parte da avaliação.

Se você vem por menopausa ou reposição hormonal

  • A data da última menstruação e como eram os ciclos antes dela.
  • Os sintomas que mais incomodam: calorões, suor noturno, sono, ânimo, dores.
  • A mamografia, o exame preventivo e a densitometria mais recentes.
  • O histórico pessoal e familiar de câncer de mama, trombose, AVC e infarto.
  • Os hormônios que já usou ou usa, inclusive anticoncepcionais: nome, forma e dose.

A data da última menstruação importa porque a menopausa natural é definida depois de 12 meses seguidos sem menstruação [1]. Os exames de mama e o histórico da família entram porque os riscos da terapia hormonal variam com o tipo, a dose, a via, o tempo de uso e o momento de início, e a decisão é individualizada [2]. O guia da menopausa explica essa avaliação em detalhe.

Se o assunto é testosterona e hormônios masculinos

  • Os exames de testosterona anteriores, com a data e, se possível, o horário da coleta.
  • O uso atual ou passado de hormônios, anabolizantes ou suplementos "para testosterona".
  • Os planos de ter filhos, que mudam as opções discutidas na consulta.

O horário da coleta faz diferença: a diretriz da Endocrine Society recomenda medir a testosterona total pela manhã, em jejum, e confirmar o resultado com uma segunda dosagem, e considera os planos de fertilidade antes de decidir o tratamento [3]. Para entender os sinais e os exames, veja o que a testosterona baixa no homem costuma causar e como é investigada.

Se você vem por causa da tireoide

  • Todos os TSH e T4 livre que já fez, do mais antigo ao mais recente, e os anticorpos, se tiver.
  • Laudos de ultrassom de tireoide e de punção, se já fez.
  • Se usa hormônio da tireoide: a dose, o horário, como toma em relação ao café da manhã e quando a dose mudou.
  • Suplementos de biotina (vitamina B7), comuns em fórmulas para cabelo, pele e unhas.

A biotina merece uma linha à parte. Em um estudo com adultos saudáveis que tomaram biotina por uma semana, 9 de 23 exames de laboratório que usam essa tecnologia mostraram interferência, com resultados falsamente altos ou baixos, entre eles exames de tireoide [4]. Não pare nada por conta própria: informe o uso no agendamento e siga as orientações da equipe. A página do endocrinologista em Londrina mostra como a tireoide é acompanhada.

Se você vem por glicose alterada, pré-diabetes ou diabetes

  • As glicemias de jejum e as hemoglobinas glicadas anteriores, em ordem de data.
  • Os registros do glicosímetro ou os relatórios do sensor, se você usa.
  • Os medicamentos para glicose, pressão e colesterol, com as doses.
  • O histórico de diabetes na família e, para mulheres, se houve diabetes na gestação.

Aqui a sequência vale mais do que o último número: uma glicemia que sobe devagar ao longo dos anos conta outra história que um valor isolado. No glicosímetro, anote também o horário de cada medida, antes ou depois das refeições.

Se você vem por cansaço, queda de cabelo ou vitaminas baixas

  • Os hemogramas e as dosagens de ferritina, vitamina B12 e vitamina D que já fez.
  • Os suplementos de vitaminas e minerais, com a dose de cada cápsula e quantas você toma.
  • Para mulheres, como é o fluxo menstrual, porque o fluxo intenso pode levar à perda de ferro.
  • Anotações de sono: hora de deitar, de acordar e como se sente ao levantar.

Cansaço raramente tem uma origem só: ferro, B12, tireoide, sono e estresse se misturam. Veja o que B12 e ferro baixos podem causar e como são investigados.

Se você vem por dor

  • Os laudos de radiografia, ultrassom, tomografia ou ressonância e, se tiver, as próprias imagens, em CD ou no link do laboratório.
  • Relatórios de fisioterapia e de procedimentos já feitos, como infiltrações, com a data.
  • Os remédios para dor que você usa e com que frequência.
  • Uma nota de 0 a 10 para a dor em dias diferentes, com o que piora e o que alivia.

A escala numérica de 0 a 10 é uma das formas padronizadas de registrar a intensidade da dor [5], e a nota de vários dias mostra mais do que a lembrança do dia da consulta. O guia do tratamento da dor crônica mostra como essa avaliação continua.

Se você acompanha o pai, a mãe ou outro familiar

Quem agenda para um familiar pode usar a técnica da sacola: juntar todas as caixas de remédios, vitaminas, pomadas e colírios em uso em casa e levar à consulta. Num ambulatório, comparar os frascos que os pacientes traziam com o prontuário mostrou divergências em 76% dos pacientes, mais comuns com a idade e com o número de remédios [6].

O que preparar se você mora fora e começa pela teleconsulta?

Quem mora fora de Londrina e começa pela teleconsulta prepara os mesmos itens, em formato digital. A conversa e a leitura dos exames acontecem por vídeo; o exame físico e o check-up funcional ficam para a visita à clínica.

  • Os exames em PDF numa pasta só, nomeados pela data, para mostrar do jeito que a equipe orientar.
  • A lista de medicamentos e suplementos impressa ao seu lado ou aberta na tela.
  • Peso e pressão medidos em casa, se você tiver balança e aparelho.
  • Um lugar silencioso, com boa luz e conexão estável, e o celular carregado.

Na teleconsulta, o kit de uma página (veja abaixo) evita folhear papéis em frente à câmera. Para escolher o formato, veja o que dá para fazer na consulta presencial e na online.

Como organizar exames antigos antes da consulta?

Organize os exames por data da coleta, do mais antigo ao mais recente, sempre com o laudo completo, incluindo a unidade e a faixa de referência. A ordem mostra a direção de cada número; o laudo completo permite comparar laboratórios diferentes.

Laudos de exames com gráficos e anotações sobre a mesa, separados para levar à primeira consulta
Laudos completos, em ordem de data e com anotações à mão: é assim que a evolução de cada exame aparece na consulta.

Passo a passo para organizar

  1. Junte tudo num lugar só. Papéis, PDFs do portal do laboratório, fotos no celular e e-mails com resultados.
  2. Separe pela data da coleta. Do mais antigo ao mais recente, pela data em que o sangue foi colhido.
  3. Digitalize os papéis. Um arquivo por laudo, com a página inteira e legível. Comece o nome pela data, como "2023-05 glicose e tireoide".
  4. Prefira o PDF original. Ele traz o método, a unidade e a faixa de referência, que somem num print cortado.
  5. Destaque o que se repete. Glicose, colesterol, TSH, vitamina D e ferritina de anos diferentes viram a tabela de evolução do kit de uma página.
  6. Não descarte o que parecia normal. Um valor dentro da faixa pode chamar atenção quando a sequência mostra que ele vem mudando.

Exames de outros laboratórios, de outras cidades ou muito antigos

Cada laboratório define a própria faixa de referência a partir do método que usa, e essa faixa costuma corresponder aos 95% centrais dos resultados de pessoas saudáveis [7]. Na prática, o mesmo valor pode aparecer como alterado num laudo e como normal em outro, e cerca de 1 em cada 20 pessoas saudáveis fica fora da faixa num exame qualquer. Por isso, não transcreva só o número: leve o laudo inteiro, com a unidade (a vitamina D, por exemplo, pode vir em ng/mL ou em nmol/L) e a faixa daquele laboratório.

Situação do exameO que fazer
Papel antigo ou desbotadoFotografe com boa luz e leve o original junto.
Resultado só no portal do laboratórioBaixe o PDF antes, sem depender de senha ou de internet na hora.
Exames feitos em outro paísLeve como estão; as unidades são convertidas na consulta.
Laudos de imagemLeve o laudo escrito e, se tiver, as imagens em CD ou link.
Internação ou cirurgiaLeve o resumo de alta, que costuma reunir os principais resultados.

Como montar a lista de medicamentos e suplementos com as doses?

A lista certa tem uma linha por produto, com nome, dose, horário e o jeito como você toma de verdade, que nem sempre é o da receita.

No estudo do ambulatório citado acima, mais da metade das divergências era de remédios tomados e não anotados no prontuário, e 1 em cada 5 era de dose diferente da registrada [6]. Uma lista escrita em casa, com as caixas na mão, fecha esses buracos.

O que cada linha da lista deve ter

  • O nome como está na caixa e a concentração, como os miligramas por comprimido.
  • Quanto você toma, em que horário e se é todo dia ou só às vezes.
  • Desde quando usa, quem indicou e para quê, nas suas palavras.
  • Se pulou doses ou mudou a dose por conta própria. Conte sem receio: é informação clínica.

O que costuma ficar de fora

  • anticoncepcionais e hormônios em gel ou adesivo;
  • colírios, pomadas e remédios usados só às vezes, como para dor ou para dormir;
  • fórmulas manipuladas: leve a receita ou o rótulo com a composição;
  • vitaminas, minerais, fitoterápicos, chás em cápsula e suplementos de academia;
  • o que você parou de usar nos últimos meses e por quê.

Por que suplementos contam tanto quanto remédios

Suplementos aparecem pouco nas conversas de consultório: em quase 1.500 consultas gravadas na atenção primária, foram discutidos em cerca de 1 em cada 4 [8]. Mas importam: alguns somam doses do mesmo nutriente vindas de produtos diferentes; outros interferem em exames, como a biotina citada na parte da tireoide [4].

“Esses achados devem ser considerados em pacientes que usam suplementos de biotina, antes de pedir exames de sangue ou ao interpretar os resultados.”

Li e colaboradores, JAMA, 2017 [4]

Como resumir tudo em um kit de uma página?

O kit de uma página é uma folha de resumo que você mostra no começo da consulta, com o essencial da sua história. Ele não substitui os laudos: organiza o caminho até eles.

A ansiedade do dia faz muita gente esquecer parte do que queria contar e do que ouviu: estima-se que de 40% a 80% das informações médicas sejam esquecidas logo depois da consulta [9]. A folha feita com calma em casa protege o que você queria dizer.

O que vai na folha

  1. Motivo em uma frase. "Venho porque…": o que mais incomoda você hoje.
  2. Três perguntas. As que você não quer sair sem fazer, em ordem de importância.
  3. Linha do tempo. De cinco a oito marcos: quando começou, fases da vida, mudanças de rotina, início e fim de remédios.
  4. Lista de uso. Medicamentos, hormônios e suplementos com dose e horário.
  5. Alergias, cirurgias e internações. Inclua reações ruins a remédios, mesmo antigas.
  6. História da família. Diabetes, tireoide, colesterol, coração, câncer e trombose em pais e irmãos.
  7. Tabela de evolução. Os exames que se repetem ao longo dos anos, no modelo abaixo.
  8. O que já tentou. Uma linha por tentativa.
  9. Espaço em branco. Para anotar o plano.

Modelo da tabela de evolução (ilustração)

Ilustração do formato, sem valores: copie os números dos seus laudos, com a unidade.

ExameData da coletaResultado e unidadeFaixa do laboratórioLaboratório
Glicemia de jejummês/anocomo no laudocomo no laudonome
Hemoglobina glicada…………
TSH…………
Vitamina D…………
Ferritina…………

Se passar de uma página, corte

O que não couber continua nos laudos, que você leva junto. Leve duas cópias: uma para mostrar e outra para anotar o plano.

E se você não tiver exames ou não lembrar das doses?

Se você não tiver exames ou não lembrar das doses, vá à consulta mesmo assim: a avaliação começa do zero, e fotos das embalagens completam a lista.

  • Sem exames: não faça exames por conta própria só para "chegar com algo". O check-up funcional da primeira consulta já cria o primeiro ponto de comparação.
  • Sem a dose: fotografe caixas, frascos e rótulos, inclusive de suplementos e fórmulas manipuladas.
  • Sem datas exatas: "por volta de 2019" ou "depois da segunda gestação" já ajudam.

Também não mude a rotina na semana anterior nem pare medicamentos por conta própria: o preparo do check-up funcional é orientado no agendamento. Se ainda está escolhendo onde se consultar, veja o que observar além do preço numa consulta particular.

Perguntas frequentes sobre o que levar na primeira consulta

O que levar na primeira consulta com endocrinologista ou nutrólogo?

Leve os exames que você já tem, antigos e recentes, a lista de medicamentos e suplementos com nome, dose e horário, relatórios de outros médicos e o histórico do que já tentou. Depois, acrescente os itens do seu motivo de consulta, como a data da última menstruação na menopausa.

Preciso levar exames antigos ou só os recentes?

Leve os dois. O recente mostra o momento; os antigos mostram a direção de cada número. Leve também os que pareciam normais, com o laudo completo, impresso ou em PDF no celular.

Preciso fazer exames antes da primeira consulta?

Não. Sem exames, a avaliação começa do zero, e o check-up funcional feito na clínica durante a primeira consulta cria o ponto de partida.

E se eu não souber o nome ou a dose dos remédios?

Fotografe as caixas, os frascos e os rótulos, inclusive de suplementos e fórmulas manipuladas, ou leve tudo numa sacola. A dose é conferida na consulta a partir das embalagens.

O que preparar para a primeira consulta por teleconsulta?

Os mesmos itens, em formato digital: exames em PDF numa pasta só, a lista de medicamentos e suplementos e o kit de uma página aberto na tela. O exame físico e o check-up funcional são feitos depois, numa visita à clínica em Londrina.

Retrato do Dr. Leonardo Higashi como revisor médico dos artigos da Clínica Higashi Londrina

Revisão médica

Dr. Leonardo Higashi — MÉDICO — CRM-PR 25067

Endocrinologia e Metabologia (RQE 16677) · Nutrologia (RQE 2685) · Clínica Médica (RQE 15389)

Médico especialista em Endocrinologia e Metabologia, Nutrologia e Clínica Médica e diretor médico da Clínica Higashi Londrina desde 2009. Tem formação complementar em medicina funcional, prática ortomolecular, endocrinologia do envelhecimento e medicina esportiva, e é membro e professor da Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa.

Conheça o Dr. Leonardo Higashi
Referências
  1. World Health Organization. Menopause [Internet]. Genebra: WHO; 2024 [publicado em 16 out 2024]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause
  2. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-94.
  3. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, Hayes FJ, Hodis HN, Matsumoto AM, et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-44.
  4. Li D, Radulescu A, Shrestha RT, Root M, Karger AB, Killeen AA, et al. Association of biotin ingestion with performance of hormone and nonhormone assays in healthy adults. JAMA. 2017;318(12):1150-60.
  5. Hawker GA, Mian S, Kendzerska T, French M. Measures of adult pain: Visual Analog Scale for Pain (VAS Pain), Numeric Rating Scale for Pain (NRS Pain), McGill Pain Questionnaire (MPQ), Short-Form McGill Pain Questionnaire (SF-MPQ), Chronic Pain Grade Scale (CPGS), Short Form-36 Bodily Pain Scale (SF-36 BPS), and Measure of Intermittent and Constant Osteoarthritis Pain (ICOAP). Arthritis Care Res (Hoboken). 2011;63 Suppl 11:S240-52.
  6. Bedell SE, Jabbour S, Goldberg R, Glaser H, Gobble S, Young-Xu Y, et al. Discrepancies in the use of medications: their extent and predictors in an outpatient practice. Arch Intern Med. 2000;160(14):2129-34.
  7. Jones G, Barker A. Reference intervals. Clin Biochem Rev. 2008;29 Suppl 1:S93-7.
  8. Tarn DM, Paterniti DA, Good JS, Coulter ID, Galliher JM, Kravitz RL, et al. Physician-patient communication about dietary supplements. Patient Educ Couns. 2013;91(3):287-94.
  9. Kessels RP. Patients' memory for medical information. J R Soc Med. 2003;96(5):219-22.

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.