Em resumo
- O que é: o PRP é um concentrado de plaquetas preparado com o sangue do próprio paciente e aplicado no local da dor. Na Clínica Higashi Londrina, ele entra como complemento do tratamento, nunca sozinho.
- Quatro indicações: artrose de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral (cotovelo de tenista) e reparo de menisco, sempre com diagnóstico confirmado por exame físico e de imagem.
- Como age: as plaquetas liberam fatores de crescimento, proteínas que funcionam como mensageiros para as células que participam da inflamação e do reparo dos tecidos.
- O que a pesquisa mostra: os resultados variam entre estudos, em parte porque os preparos de PRP são muito diferentes entre si. Por isso a indicação é feita caso a caso.
- Junto com a reabilitação: o fortalecimento e a fisioterapia continuam sendo a base do plano. O PRP atua no local tratado; a força e o movimento sustentam o resultado.
O que é o PRP (plasma rico em plaquetas)?
O PRP, ou plasma rico em plaquetas, é uma fração do sangue do próprio paciente com mais plaquetas do que o sangue circulante, separada por centrifugação e aplicada no local da dor. Como vem do seu próprio corpo, não é um remédio fabricado nem uma substância de outra pessoa.
A dúvida mais comum de quem ouve falar do PRP pela primeira vez é: "isso faz o quê, exatamente?". A resposta curta é que ele leva para o tecido tratado uma concentração maior das substâncias que o próprio corpo usa para reagir a uma lesão. A resposta longa passa pelas plaquetas.
Fatores de crescimento, em linguagem simples
As plaquetas são conhecidas pelo papel na coagulação, mas carregam também pequenos "pacotes" cheios de proteínas sinalizadoras, os fatores de crescimento. Quando as plaquetas são ativadas, esses pacotes se abrem e liberam as proteínas no tecido [1].
Uma comparação ajuda: os fatores de crescimento funcionam como mensageiros. Eles avisam as células da região que há trabalho a fazer, chamam outras células para o local, estimulam a formação de pequenos vasos e a organização do colágeno e ajudam a modular a inflamação [1]. Os mesmos autores lembram, porém, que boa parte desse conhecimento vem de estudos em laboratório e em animais, e que traduzir esses achados para o tratamento de pessoas não é simples [1]. É por isso que o efeito clínico do PRP é estudado indicação por indicação.
Na dor que persiste, o PRP é uma das peças possíveis do plano, e não o plano inteiro. O guia do tratamento da dor crônica mostra como essa peça se encaixa ao lado da reabilitação, do sono, do peso e dos outros fatores que mantêm a dor.
Como o PRP é preparado?
O PRP é preparado no mesmo dia da aplicação: uma pequena quantidade de sangue é colhida da veia do braço, centrifugada em tubos próprios, e a fração com mais plaquetas é separada para ser aplicada no local tratado.
- Coleta. O sangue é colhido como num exame de laboratório, em tubos preparados para o PRP.
- Centrifugação. A centrífuga gira os tubos em alta velocidade, e os componentes do sangue se separam pelo peso: os glóbulos vermelhos vão para o fundo, o plasma fica em cima, e as plaquetas se concentram na parte do plasma mais próxima dos glóbulos.
- Separação. A fração com maior concentração de plaquetas é retirada com técnica estéril, sem contato com o ambiente.
- Aplicação. O preparo é aplicado no ponto planejado, com a agulha acompanhada pela imagem do ultrassom.

Como todo o processo usa o sangue do próprio paciente, o preparo pede cuidado em cada etapa: identificação dos tubos, técnica estéril e tempo certo entre a coleta e a aplicação.
Por que os estudos sobre PRP chegam a resultados diferentes?
Os estudos sobre PRP chegam a resultados diferentes em boa parte porque "PRP" não é sempre o mesmo preparo: a concentração de plaquetas, a presença de glóbulos brancos, o volume e o número de aplicações mudam de um protocolo para outro. Comparar estudos de PRP é, muitas vezes, comparar receitas diferentes com o mesmo nome.
Uma revisão de 105 estudos clínicos com PRP em ortopedia encontrou que só 11 deles, cerca de 10%, descreviam o preparo com detalhes suficientes para que outro grupo pudesse repeti-lo [2]. Numa revisão de 2026 sobre a dor que vem do disco da coluna lombar, o problema se repetiu: só um dos 11 ensaios descrevia o método por completo [8].
“Métodos de preparo heterogêneos, nomenclatura sem padrão e classificações ambíguas tornam difícil comparar os estudos.”
Chahla e colaboradores, 2017 [2]
| O que varia | Como varia | Por que importa |
|---|---|---|
| Concentração de plaquetas | Muda conforme o tubo, a centrífuga e o tempo de giro | Define quanto de fatores de crescimento chega ao tecido |
| Glóbulos brancos | Preparos "ricos" ou "pobres" em leucócitos | Os leucócitos participam da inflamação, e cada tipo de preparo tem sido estudado em situações diferentes [1] |
| Número de aplicações e intervalo | Uma ou mais aplicações, com intervalos diferentes | Muda o esquema de tratamento e dificulta comparar resultados |
| Forma de aplicação | Com ou sem guia por imagem | A guia por imagem ajuda a levar o preparo ao ponto planejado |
| Reabilitação associada | Com ou sem fortalecimento orientado | O exercício pesa no resultado, e nem todo estudo o controla |
Perguntas úteis para levar à consulta
- O meu diagnóstico está entre as situações em que o PRP costuma ser considerado?
- O que já foi tentado no meu caso, e o que ainda pode ser ajustado na reabilitação?
- Quantas aplicações estão previstas, com qual intervalo, e quando será a reavaliação?
- Como o fortalecimento e a fisioterapia vão acompanhar o procedimento?
Em que situações o PRP é indicado?
Na Clínica Higashi Londrina, o PRP é indicado como complemento do tratamento em quatro situações: artrose (osteoartrite) de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral e reparo de menisco. Em todas elas, a indicação depende do exame físico, de um exame de imagem que confirme o diagnóstico e da revisão do que você já tentou.
Artrose de joelho
Na artrose, a cartilagem do joelho se desgasta e a articulação inteira muda: osso, membrana que reveste a articulação e músculos ao redor. Uma metanálise de ensaios clínicos encontrou melhora maior de dor e função com o PRP do que com a viscossuplementação, outra infiltração usada na artrose [4]. Já um ensaio australiano com placebo não encontrou diferença na dor nem na cartilagem depois de 12 meses [5]. As diretrizes da Osteoarthritis Research Society International (OARSI) de 2019 não recomendam o PRP como tratamento de rotina na artrose, citando a baixa qualidade das evidências e a falta de padronização dos preparos [3].
Na prática, isso significa que o PRP pode ser considerado em casos selecionados, quando a base do tratamento já está em andamento e a dor ainda limita a reabilitação. O artigo sobre as opções de tratamento da artrose mostra como essa escolha é feita.
Discopatia lombar
Na discopatia, o disco entre as vértebras perde água e altura com o tempo, e em parte das pessoas isso se torna fonte de dor lombar persistente. Um ensaio clínico pequeno, com aplicação dentro do disco, encontrou melhora de dor e função nas primeiras semanas em comparação com o grupo controle [7]. Uma revisão de 2026, com 11 ensaios, não encontrou diferença significativa entre o PRP e os grupos de comparação, com tendência favorável ao PRP aos 3 e 6 meses e certeza muito baixa das evidências [8]. Por isso, a discopatia lombar pede uma indicação especialmente criteriosa.
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
A epicondilite lateral é uma lesão por sobrecarga dos tendões que estendem o punho, na parte de fora do cotovelo. Ela aparece em quem joga tênis, mas também em quem digita, carrega peso ou usa ferramentas o dia inteiro. Uma metanálise de 2026 comparou o PRP à infiltração com corticoide e encontrou um padrão que depende do tempo: o corticoide aliviou mais a dor nas primeiras quatro semanas, e o PRP teve resultado mais favorável depois de seis meses, embora com diferença pequena [6]. Em outras palavras, o efeito do PRP no tendão costuma ser mais lento, e a expectativa precisa levar isso em conta.
Reparo de menisco
O menisco é a "almofada" de cartilagem entre o fêmur e a tíbia. Quando uma lesão é reparada, o PRP pode ser usado como complemento do reparo. Uma revisão de estudos comparativos encontrou resultados mistos: três estudos não mostraram diferença, e dois mostraram algum benefício com o PRP [9]. A decisão é tomada junto com a ortopedia, conforme o tipo de lesão e o plano de reabilitação.
Você pode ver como essas quatro situações aparecem nas indicações do PRP no programa de tratamento da dor da clínica, junto com o que entra na avaliação antes do procedimento.
Por que o PRP entra junto com o fortalecimento e a fisioterapia?
O PRP entra junto com o fortalecimento e a fisioterapia porque ele atua no local tratado, enquanto a força muscular, a mobilidade e a carga bem dosada são o que sustentam a articulação, o tendão e a coluna no dia a dia. Um sem o outro costuma render menos.
Pense no joelho com artrose: se o músculo da coxa está fraco, cada degrau de escada descarrega mais peso sobre a articulação. O procedimento pode ajudar no local, mas quem divide essa carga é o músculo. No cotovelo de tenista, o tendão precisa voltar a receber carga aos poucos para se reorganizar, e isso é feito com exercícios orientados. Revisões sobre o PRP destacam justamente a combinação com protocolos de reabilitação como parte do tratamento [1].
Um fator puxa o outro
A resposta ao tratamento também depende do que acontece fora do local da dor:
- Peso e composição corporal: excesso de gordura aumenta a carga mecânica e mantém uma inflamação de baixo grau.
- Glicemia: a glicose alta por muito tempo atrapalha a recuperação dos tecidos.
- Sono e estresse: dormir mal deixa o corpo mais sensível à dor e reduz a disposição para a reabilitação.
- Massa muscular: pouca massa magra significa menos proteção para as articulações.
Por isso, na clínica, esses fatores entram na mesma avaliação. O check-up funcional da primeira consulta inclui a bioimpedância InBody e Seca, que mostra quanto do seu peso é músculo e quanto é gordura, um dado útil para planejar o fortalecimento.
Como é a aplicação guiada por ultrassom e o que você sente?
Na clínica, a aplicação do PRP é guiada por ultrassom: a imagem mostra, em tempo real, a articulação ou o tendão e o trajeto da agulha, o que ajuda a levar o preparo ao ponto planejado e a desviar de vasos e nervos. Uma revisão sobre infiltrações em medicina esportiva concluiu que as aplicações guiadas por ultrassom são, no geral, mais precisas do que as feitas só pela palpação, e no joelho mostraram também melhor resultado [10].
O que você sente
- Na coleta: a picada de uma coleta de sangue comum.
- Na aplicação: sensação de pressão, ardor ou peso no local, em geral breve. O local é limpo e preparado antes.
- Nos dias seguintes: dor, sensação de inchaço ou rigidez no local são comuns e costumam ser passageiras. Elas fazem parte da resposta inflamatória que as plaquetas iniciam no tecido [1].
Cuidados antes
- Informe todos os remédios e suplementos que você usa. Alguns remédios para dor e inflamação e os que afinam o sangue podem interferir na ação das plaquetas ou no sangramento [1], e a equipe orienta o que fazer com cada um.
- Leve os laudos e as imagens do local tratado.
- Conte se teve febre, infecção ou qualquer mudança de saúde recente. Condições do sangue, infecções e outras situações de saúde são revistas antes da indicação.
Cuidados depois
- Siga as orientações da equipe sobre esforço, gelo e remédios para dor nos primeiros dias.
- Volte às atividades aos poucos, no ritmo definido com a fisioterapia.
- Avise a equipe se a dor aumentar em vez de diminuir, ou se aparecerem vermelhidão, calor intenso ou febre.
Quais são os mitos mais comuns sobre o PRP?
Os mitos mais comuns sobre o PRP são que ele substitui a reabilitação, que ele refaz a cartilagem e que serve para qualquer dor. Cada um deles cria uma expectativa que o tratamento não sustenta.
"O PRP substitui a fisioterapia"
O PRP não devolve força, mobilidade nem condicionamento. Ele atua no local tratado, e a reabilitação continua sendo a base do plano. Quem faz o procedimento e para de se exercitar perde a parte do tratamento que mais protege a articulação.
"O PRP faz a cartilagem crescer de novo"
Essa ideia circula muito, mas não se confirmou nos estudos: no ensaio australiano que acompanhou pessoas com artrose de joelho por 12 meses, o volume de cartilagem medido na ressonância mudou da mesma forma com o PRP e com o placebo [5]. O objetivo do PRP, quando indicado, é ajudar no controle da dor e na função, junto com as outras etapas do plano.
"Se é do meu sangue, serve para qualquer dor"
Ser do próprio sangue torna o preparo compatível com o seu corpo, mas não amplia as indicações. Na clínica, o PRP é considerado nas quatro situações descritas acima, com diagnóstico confirmado.
"Uma aplicação resolve"
O número de aplicações e o intervalo entre elas dependem da indicação e do protocolo, e a resposta varia de uma pessoa para outra. Por isso, o plano prevê reavaliações para comparar dor e função com o ponto de partida.
Glossário do PRP
- Plaquetas
- Fragmentos de células do sangue que participam da coagulação e carregam fatores de crescimento.
- Fatores de crescimento
- Proteínas sinalizadoras que orientam as células na inflamação e no reparo dos tecidos.
- Centrifugação
- Giro dos tubos em alta velocidade, que separa os componentes do sangue pelo peso.
- Epicondilite lateral
- Lesão por sobrecarga dos tendões da parte de fora do cotovelo, o "cotovelo de tenista".
- Discopatia lombar
- Alteração dos discos entre as vértebras da coluna lombar, que pode causar dor persistente.
- Menisco
- Estrutura de cartilagem em forma de meia-lua que amortece e estabiliza o joelho.
Perguntas frequentes sobre o PRP
O que é o PRP e para que ele é indicado?
O PRP é um concentrado de plaquetas preparado com o sangue do próprio paciente, por centrifugação, e aplicado no local da dor. Na Clínica Higashi Londrina, ele é indicado como complemento do tratamento em quatro situações: artrose de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral e reparo de menisco, sempre junto com a reabilitação.
A aplicação de PRP dói?
A coleta é como a de um exame de sangue, e a aplicação costuma causar pressão ou ardor breves no local. Nos dias seguintes, dor e sensação de inchaço são comuns e costumam passar. A equipe orienta os cuidados para esse período.
Por que a aplicação é guiada por ultrassom?
Porque a imagem mostra a articulação ou o tendão e o trajeto da agulha em tempo real. Isso ajuda a levar o preparo ao ponto planejado e a desviar de vasos e nervos. O ultrassom não usa radiação.
Depois do PRP, ainda preciso fazer fisioterapia?
Sim. O PRP atua no local tratado, mas a força muscular e a mobilidade é que sustentam a articulação e o tendão. Na clínica, a fisioterapia é presencial e acompanha o procedimento, com a volta às atividades feita aos poucos.
Em quanto tempo o PRP faz efeito?
A resposta varia de uma pessoa para outra e depende da indicação. No cotovelo de tenista, por exemplo, os estudos mostram um efeito mais lento do que o de outras infiltrações. Por isso, o plano prevê reavaliações para acompanhar a dor e a função ao longo do tempo.
Referências
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