Em resumo
- O que é: o uso medicinal de uma mistura de oxigênio e ozônio, produzida por um gerador próprio para uso em saúde e aplicada no local tratado. Na Clínica Higashi Londrina, ela faz parte do programa de tratamento da dor e medicina regenerativa.
- Como age: em dose baixa, o ozônio provoca um estímulo oxidativo leve, que ativa as defesas antioxidantes do próprio corpo e ajuda a modular a inflamação.
- Para que é usada: dor e inflamação em articulações, coluna, músculos e tendões, feridas que demoram a cicatrizar e recuperação depois de lesões.
- O que dizem os estudos: revisões sistemáticas mostram alívio da dor e boa segurança na artrose de joelho e na dor lombar ligada à hérnia de disco; em tendões, músculos e feridas, os resultados são animadores e a pesquisa segue em andamento.
- Como entra no tratamento: como parte de um plano, junto com fisioterapia, fortalecimento e o cuidado com inflamação, peso e glicemia, com sessões e intervalos definidos na consulta.
O que é a ozonioterapia?
A ozonioterapia é o uso medicinal de uma mistura de oxigênio e ozônio, aplicada em pequena quantidade no local que precisa de cuidado: uma articulação, um músculo, um tendão, a região ao redor da coluna ou uma ferida. A mistura é preparada na hora, na dose definida para cada pessoa, e entra no tratamento da dor, da inflamação e da cicatrização.
O ozônio é uma forma do oxigênio com três átomos em vez de dois. É o mesmo gás da camada que protege a Terra da radiação do sol e o mesmo que, perto do chão, faz parte da poluição das cidades. Respirado, ele irrita os pulmões. Usado em dose baixa e no lugar certo, ele provoca no tecido um estímulo leve, que o corpo responde ativando as próprias defesas. Essa diferença entre o ar poluído e o uso medicinal está toda na dose e no local de aplicação [3].
Como a mistura medicinal é produzida
A mistura é feita por um gerador de ozônio próprio para uso em saúde. O aparelho recebe oxigênio medicinal, puro, e transforma uma pequena parte dele em ozônio. O resultado é uma mistura em que o oxigênio é a maior parte e o ozônio entra em concentração baixa, ajustada no próprio gerador [1].
- Oxigênio medicinal como origem: a mistura parte de oxigênio de uso médico, e não do ar ambiente.
- Dose ajustada no aparelho: a concentração de ozônio e o volume aplicado são definidos conforme o local tratado e o plano de cada pessoa.
- Preparo na hora: o ozônio é instável e volta a ser oxigênio em pouco tempo. Por isso a mistura é produzida no momento da aplicação, em material próprio para o uso.
Por que a dose faz toda a diferença
No ozônio, a utilidade e o risco dependem da concentração e do lugar em que ele é aplicado [3]. Uma dose baixa no tecido certo estimula defesas. Uma dose alta ou no lugar errado, como as vias respiratórias, irrita e agride. É por isso que a ozonioterapia é sempre planejada: o local, a forma de aplicação e a dose saem da avaliação, e não de um protocolo igual para todos.
Como o ozônio age no corpo?
Em dose baixa, o ozônio age como um estímulo oxidativo leve: o tecido percebe esse pequeno desafio e responde ativando as próprias defesas antioxidantes e reduzindo os sinais da inflamação [2]. O efeito não vem do ozônio em si, que dura pouco no tecido, e sim da resposta que ele desperta no organismo.
Um exemplo do dia a dia ajuda a entender. O exercício físico na medida certa deixa o corpo mais forte; o exercício em excesso machuca. Com o ozônio acontece algo parecido: o estímulo moderado faz bem, e o exagero deixa de ser útil [2].
“Em sua relação dose-resposta, o ozônio medicinal segue o princípio da hormese: concentrações (ou doses) baixas mostram alta eficácia, que diminui com concentrações maiores.”
Viebahn-Haensler R, León Fernández OS, 2021 [1]
Hormese, em linguagem simples
Hormese é o nome dado a esse tipo de resposta: uma substância que, em pequena quantidade, estimula o corpo a se proteger, e em grande quantidade faz mal. É a lógica por trás da dose baixa usada na ozonioterapia e o motivo pelo qual "mais ozônio" não quer dizer "mais efeito" [1].
O que acontece dentro das células
As pesquisas sobre o mecanismo descrevem uma espécie de interruptor dentro das células, chamado Nrf2. Diante de um estímulo oxidativo moderado, ele é ligado e aciona a produção de enzimas antioxidantes, que protegem as células e ajudam a equilibrar a inflamação. Já um estímulo forte demais ativaria outro caminho, que aumenta a inflamação. A dose baixa busca justamente o primeiro caminho [2].
- Ativação das defesas antioxidantes do próprio corpo
- Modulação dos sinais inflamatórios no local tratado
- Melhora da circulação e da oferta de oxigênio no tecido [3]
Um efeito puxa o outro
Na dor, esses efeitos se encadeiam. A inflamação aumenta a dor; a dor faz a pessoa se mexer menos; o movimento menor enfraquece os músculos; e o músculo fraco deixa a articulação ou a coluna mais sobrecarregadas, o que mantém a inflamação. Quando a ozonioterapia ajuda a acalmar a inflamação e a dor, abre espaço para que o fortalecimento e a fisioterapia avancem, e são eles que ajudam a quebrar esse ciclo.
O que esperar do mecanismo
A ozonioterapia age sobre o ambiente inflamatório do local tratado. Ela não reconstrói uma cartilagem gasta nem corrige sozinha a sobrecarga que levou à dor. Por isso, o plano sempre olha também para a causa: postura, força, peso, rotina e o que mais mantém o problema.
Para que a ozonioterapia é usada no cuidado da dor?
A ozonioterapia é usada no cuidado da dor e da inflamação em articulações, coluna, músculos e tendões, de feridas que demoram a cicatrizar e da recuperação depois de lesões. Na Clínica Higashi Londrina, essas são as situações em que a ozonioterapia entra no plano de tratamento, sempre a partir da avaliação de quem tem a dor.
Dor nas articulações
A artrose, também chamada de osteoartrite, é o desgaste da cartilagem que reveste as articulações, acompanhado de inflamação, rigidez e dor ao se movimentar. O joelho é a articulação mais estudada [4], mas revisões sobre o uso do ozônio em doenças musculoesqueléticas descrevem também aplicações no ombro, no quadril e em outras articulações [8]. A aplicação é feita dentro da articulação, junto com o fortalecimento dos músculos que a protegem.
Dor na coluna
Na coluna, a ozonioterapia é usada na dor lombar e cervical, incluindo a dor ligada à hérnia de disco, quando o disco que fica entre as vértebras se desloca e irrita o nervo. A aplicação mais comum é nos músculos ao lado da coluna, na região da dor [9]. A dor da coluna costuma ter vários componentes, como músculo tenso, articulações pequenas inflamadas e nervo irritado, e a avaliação procura entender qual deles pesa mais em cada caso.
Músculos e tendões
Tendinites, bursites e dores musculares que persistem também fazem parte dos usos. O ombro é um bom exemplo: dor por compressão dos tendões, capsulite adesiva (o "ombro congelado") e problemas crônicos do manguito rotador estão entre as situações estudadas [10].
Feridas que demoram a cicatrizar
Em feridas de cicatrização lenta, como as do pé de quem tem diabetes, a mistura é aplicada sobre a pele, no local da ferida. Ela entra como apoio ao cuidado da ferida e da causa que dificulta a cicatrização, como a glicemia alta, a pressão sobre o pé e a circulação [15].
Recuperação depois de lesões
Lesões do esporte e do dia a dia, como entorses, sobrecargas e inflamações de tendão, às vezes deixam uma dor que se arrasta além do esperado. Nesses casos, a ozonioterapia pode entrar no plano de reabilitação para ajudar a controlar a dor e a inflamação enquanto a fisioterapia recupera força e mobilidade.
Inflamação local que não cede
Quando uma inflamação localizada persiste apesar dos cuidados habituais, a ozonioterapia pode ser uma das ferramentas do plano. Nesses casos, a investigação do que mantém a inflamação, como sobrecarga, alterações metabólicas ou hábitos da rotina, caminha junto com as sessões.
O que os estudos mostram sobre a ozonioterapia?
Os estudos mais consistentes sobre a ozonioterapia estão na artrose de joelho e na dor lombar ligada à hérnia de disco, em que revisões sistemáticas mostram alívio da dor com boa segurança; em ombro, tendões, outras dores musculoesqueléticas e feridas, os resultados são animadores, mas a pesquisa ainda está em construção. Saber em que ponto está cada uso ajuda a ter expectativas realistas e a entender por que a ozonioterapia entra combinada com outros cuidados.
Artrose de joelho
Uma revisão sistemática publicada em 2020 reuniu 11 estudos randomizados, com 858 pacientes, sobre a aplicação de ozônio dentro do joelho. A ozonioterapia trouxe alívio da dor e melhora da função no curto e no médio prazo, sem complicações graves relatadas. Os autores apontaram, porém, que a qualidade dos estudos era limitada, o que impede comparações firmes com outros tratamentos [4]. Uma revisão mais recente, com cinco estudos randomizados, também encontrou redução da dor e melhora da mobilidade, com poucos efeitos colaterais [5].
Dor lombar e hérnia de disco
Na dor lombar ligada à hérnia de disco, uma revisão sistemática com meta-análise feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo concluiu que a ozonioterapia aplicada por via percutânea (com agulha, através da pele) mostrou resultados positivos e baixa taxa de complicações, com a ressalva de que faltavam estudos comparando com placebo [6]. Um estudo randomizado e duplo-cego, com 60 pacientes, comparou a aplicação nos músculos ao lado da coluna com uma aplicação simulada: quem recebeu o ozônio teve menos dor ao longo de todo o acompanhamento e precisou de menos remédios para dor [9]. Outra meta-análise, com estudos que somaram quase 8.000 pacientes, encontrou complicações raras [7].
Ombro, tendões e outras dores musculoesqueléticas
No ombro, uma revisão sistemática de 2026 reuniu cinco estudos randomizados, com 263 participantes, e encontrou melhora da dor e da função em todos eles, sem eventos adversos graves. Os protocolos com mais de uma aplicação tiveram resultados mais estáveis do que uma só aplicação, e os autores pedem estudos maiores e com protocolos padronizados [10]. Em dores musculoesqueléticas de origens variadas, uma meta-análise com 11 estudos e 534 pessoas mostrou que, no médio prazo, as aplicações de ozônio tiveram efeito parecido com o de outra infiltração muito usada no tratamento da dor [11].
Feridas de cicatrização lenta
Nas feridas do pé de quem tem diabetes, a revisão da Cochrane encontrou três estudos pequenos, com 212 participantes, e concluiu que ainda não é possível tirar conclusões firmes sobre o efeito do ozônio [12]. Uma revisão com meta-análise em rede de 2026, que reuniu 27 estudos randomizados e 1.673 participantes com feridas crônicas, mostrou que as terapias com gases, entre elas a ozonioterapia, aumentaram a chance de cicatrização completa em relação ao cuidado padrão, com a recomendação de que os resultados sejam aplicados com cautela [13].
| Situação | O que os estudos mostram | Estágio da evidência | Como entra no plano |
|---|---|---|---|
| Artrose de joelho | Alívio da dor e melhora da função no curto e médio prazo [4,5] | Várias revisões sistemáticas; estudos com qualidade variável | Aplicação dentro da articulação, junto com fortalecimento e cuidado com o peso |
| Dor lombar com hérnia de disco | Menos dor e baixa taxa de complicações [6,7,9] | Meta-análises e estudo duplo-cego | Aplicação ao redor da coluna, com reabilitação |
| Ombro e tendões | Melhora da dor e da função em estudos randomizados [10] | Revisão sistemática recente; protocolos diferentes entre si | Aplicação no local da dor, muitas vezes guiada por ultrassom |
| Outras dores musculoesqueléticas | Efeito no médio prazo parecido com o de outra infiltração comum [11] | Meta-análise; pede estudos de melhor qualidade | Escolha feita na consulta, conforme a causa |
| Feridas de cicatrização lenta | Sinais de benefício na cicatrização, ainda sem conclusão firme [12,13] | Revisões com estudos pequenos ou heterogêneos | Aplicação sobre a ferida, junto com o cuidado da causa |
| Recuperação depois de lesões | Apoio vindo dos estudos em tendões, músculos e articulações [8,10] | Evidência indireta | Parte do plano de reabilitação |
Como ler essas pesquisas
- Protocolos diferentes: os estudos variam na concentração, no volume, no número de aplicações e no tempo de acompanhamento. Isso explica por que o plano é individual.
- Curto, médio e longo prazo: muitos estudos acompanham os pacientes por meses, e não por anos. O que sustenta o resultado depois disso é o cuidado contínuo com força, peso e rotina.
- Tratamento combinado: em boa parte dos estudos, a ozonioterapia é usada junto com outros cuidados, que é também a forma como ela entra no plano da clínica.
- Resposta individual: média de estudo não é previsão para uma pessoa. A resposta de cada um é acompanhada nas reavaliações.
Como a ozonioterapia é aplicada?
A ozonioterapia é aplicada no local tratado, de três formas principais: dentro da articulação, nos músculos e tendões ou ao redor da coluna, e sobre a pele, no caso das feridas. A forma de aplicação depende do diagnóstico, da profundidade da estrutura que precisa ser alcançada e do que a avaliação mostrou.
Dentro da articulação
Na aplicação intra-articular, uma agulha fina leva a mistura para dentro da articulação, de forma parecida com uma infiltração. É a forma usada na artrose do joelho e em outras articulações com inflamação e dor.
Em músculos, tendões e ao redor da coluna
Nos músculos, nos tendões, nas bursas (pequenas bolsas que diminuem o atrito perto das articulações) e na musculatura ao lado da coluna, a aplicação é feita nos pontos ligados à dor. Na dor lombar, a aplicação nos músculos ao lado da coluna é a técnica mais usada na prática clínica e tem estudo randomizado que a compara com aplicação simulada [9].
Sobre a pele, nas feridas
Nas feridas, a aplicação é tópica: a mistura age sobre a superfície da ferida, em um sistema fechado, sem contato com as vias respiratórias. Essa forma acompanha o cuidado local da ferida e o tratamento do que dificulta a cicatrização.
Com a guia do ultrassom
Quando a estrutura a ser tratada é profunda ou pequena, como um tendão do ombro ou uma bursa do quadril, o ultrassom mostra em tempo real o caminho da agulha e o ponto da aplicação. A clínica faz procedimentos guiados por ultrassom no programa de tratamento da dor, e a necessidade da guia é definida na avaliação de cada caso.

Como é uma sessão de ozonioterapia e o que se sente?
A sessão de ozonioterapia é curta e feita na sala de procedimentos, com você deitado ou sentado conforme o local tratado; o que mais se sente é a picada da agulha e uma sensação de pressão ou de inchaço no local, que costuma passar no mesmo dia. Nas feridas, a aplicação sobre a pele em geral não dói.
- Antes da aplicação a equipe confere o plano, pergunta como você está desde a última sessão e revisa os medicamentos em uso e as alergias.
- Preparo do local a pele é limpa com antisséptico e você é posicionado de forma confortável, com a região tratada fácil de alcançar.
- Preparo da mistura o gerador produz a mistura de oxigênio e ozônio na dose definida, logo antes do uso.
- Aplicação a mistura é aplicada devagar, no ponto planejado, com a guia do ultrassom quando ela faz parte do plano.
- Depois da sessão você recebe as orientações sobre atividades nas horas seguintes e sobre como falar com a equipe se tiver alguma dúvida.
O que é comum sentir
- Picada e ardência rápida no momento da agulha.
- Sensação de pressão, de peso ou de "inchaço" no local, pelo gás aplicado.
- Desconforto local leve nas horas seguintes, que costuma ceder sozinho.
Se você tem receio de agulha, conte isso na consulta, para que a equipe explique cada passo com calma.

Quantas sessões são feitas e como o tratamento é acompanhado?
O número de sessões e o intervalo entre elas não são fixos: são definidos no plano de cada pessoa, conforme o local tratado, o diagnóstico e a resposta, e revistos nas reavaliações. Os próprios estudos usam protocolos diferentes entre si, e no ombro, por exemplo, os protocolos com mais de uma aplicação tiveram resultados mais estáveis do que uma só aplicação [10].
Na prática, o cuidado costuma seguir esta linha do tempo, sem prazos fixos:
Primeira consulta
A história da dor ou da ferida, o exame físico e os exames de imagem mostram a causa e o que a mantém. A primeira consulta inclui o check-up funcional da clínica, que traz dados como a composição corporal.
Plano de tratamento
O plano define se a ozonioterapia entra, em que local, de que forma, com quantas sessões previstas e com que intervalo, e o que vem junto: fisioterapia, fortalecimento e ajustes na rotina.
Sessões com reabilitação
As sessões caminham junto com a fisioterapia. À medida que a dor diminui, o fortalecimento e a mobilidade ganham espaço.
Reavaliações
Nos retornos, a resposta é medida e o plano é ajustado: manter, espaçar, mudar a forma de aplicação ou concentrar o esforço na reabilitação.
Manutenção
Com a dor sob controle, o foco passa a ser manter os ganhos com exercício, cuidado com o peso e acompanhamento.
Como perceber se o tratamento está funcionando
A resposta aparece mais na rotina do que em um número isolado. Algumas perguntas ajudam a acompanhar:
- A dor ao acordar e no fim do dia mudou?
- Subir escadas, caminhar, levantar o braço ou trabalhar ficou mais fácil?
- O sono está sendo menos interrompido pela dor?
- Você precisou de menos remédios para dor?
- Nas feridas: o tamanho, a aparência e a secreção da ferida estão mudando?
Anotar essas respostas entre uma sessão e outra, em um diário simples de dor, ajuda muito nas reavaliações.
Por que a ozonioterapia faz parte de um plano maior?
A ozonioterapia faz parte de um plano maior porque a dor e a inflamação dependem de vários fatores que se influenciam, como força muscular, peso, glicemia, sono, estresse e alimentação, e ela age só sobre uma parte deles. Na Clínica Higashi Londrina, esse olhar para o conjunto é o que a clínica chama de equilíbrio global da saúde, presente desde a sua fundação, em 1971.
Fortalecimento e fisioterapia
Na artrose de joelho, as diretrizes internacionais colocam a educação sobre a doença e o exercício estruturado, com ou sem controle do peso, como a base do tratamento [14]. Músculos fortes dividem a carga que chega às articulações e à coluna. Por isso, a reabilitação com ortopedia e fisioterapia caminha junto com as sessões de ozônio, e não depois delas.
Peso, composição corporal e inflamação
O excesso de peso aumenta a carga sobre joelhos, quadris e coluna, e a gordura corporal também produz sinais inflamatórios que circulam pelo corpo. Mais do que o número da balança, importa quanto do peso é músculo e quanto é gordura, informação que a bioimpedância do check-up funcional traz já na primeira consulta.
Glicemia e cicatrização
A glicemia alta atrapalha a cicatrização e a recuperação dos tecidos. Nas feridas do pé de quem tem diabetes, as diretrizes internacionais tratam a ferida junto com o alívio da pressão sobre o pé, a avaliação da circulação, o cuidado com infecções e o controle metabólico [15]. Quando a glicemia está fora do alvo, o acompanhamento de pré-diabetes e diabetes com o endocrinologista faz parte do mesmo plano.
O que mais a avaliação investiga
Além do local da dor, a consulta olha para fatores que costumam manter a inflamação e a sensibilidade à dor:
- Sono e horário das refeições
- Estresse e sistema nervoso autônomo
- Deficiências de vitaminas e minerais
- Intestino e alimentação
- Medicamentos em uso que podem atrapalhar a recuperação
- Hormônios, como os da tireoide e os sexuais
Dormir mal deixa o corpo mais sensível à dor; a dor atrapalha o sono; o cansaço reduz a disposição para o exercício. Um fator puxa o outro, e é por isso que o plano olha para o conjunto, e não só para a articulação ou a ferida.
A ozonioterapia é segura e quais cuidados são avaliados?
Aplicada no local, na dose definida e por equipe treinada, a ozonioterapia tem bom perfil de segurança nos estudos, com complicações graves raras [4,7]; os cuidados começam na consulta, que avalia se existe alguma condição que peça cautela. Segurança, aqui, é resultado de planejamento: dose, local, forma de aplicação e histórico de saúde.
O ozônio nunca é inalado
O ozônio irrita as vias respiratórias e aumenta a resistência à passagem do ar nos pulmões; o contato direto com os olhos também deve ser evitado, porque esses tecidos têm pouca proteção antioxidante [3]. Por isso a mistura é produzida e aplicada em sistema fechado, direto no local tratado.
Condições que pedem cautela
Algumas condições pedem atenção especial e são avaliadas antes de indicar a ozonioterapia [1]:
- Deficiência de G6PD: uma alteração hereditária das hemácias que as deixa mais sensíveis ao estresse oxidativo. Também é conhecida como favismo.
- Hipertireoidismo não controlado: a tireoide hiperativa precisa estar sob controle.
- Início da gestação: os primeiros três meses de gravidez pedem cautela.
Como em qualquer aplicação com agulha, a consulta também revisa os medicamentos em uso, as alergias, a pele no local da aplicação e o histórico de procedimentos anteriores.
Reações esperadas
As reações mais comuns são locais e passageiras, como dor no ponto da agulha e sensação de pressão nas horas seguintes.
Conte tudo na consulta
Doenças do sangue, problemas de tireoide, gravidez ou planos de engravidar, alergias, uso de remédios que afinam o sangue e reações a procedimentos anteriores mudam o planejamento. Quanto mais detalhada a sua história, mais seguro fica o plano.
Quais são os mitos mais comuns sobre a ozonioterapia?
Os mitos mais comuns tratam a ozonioterapia como solução isolada para qualquer dor ou, no extremo oposto, como algo sempre perigoso; na prática, ela é um recurso local, com dose controlada, que funciona dentro de um plano. Veja as confusões que mais aparecem.
"O ozônio é sempre tóxico"
O ozônio respirado é prejudicial, e por isso ele nunca é inalado na ozonioterapia. Na dose baixa aplicada no local certo, ele age como estímulo para as defesas do corpo [2]. O que separa uma situação da outra é a dose e o local.
"Quanto mais ozônio, melhor"
É o contrário. Pela lógica da hormese, o efeito útil aparece com doses baixas e diminui quando a concentração sobe [1]. Mais não é melhor.
"Uma sessão resolve"
Em geral, a ozonioterapia é planejada como uma série de sessões, com intervalos definidos, e a resposta é acompanhada ao longo do tempo [10]. O número de sessões é individual.
"Se a dor melhorou, posso parar a fisioterapia"
A melhora da dor é o momento de avançar no fortalecimento, e não de parar. É a força muscular e a mudança na rotina que ajudam a manter o resultado quando as sessões terminam.
"A ozonioterapia substitui todos os outros tratamentos"
A escolha do tratamento depende do diagnóstico. Em alguns casos, a ozonioterapia é uma das peças centrais do plano; em outros, ela entra como apoio ou dá lugar a outros caminhos, que o ortopedista e a equipe discutem com você.
"Serve para qualquer problema de saúde"
Os usos com mais estudos são locais, no cuidado da dor, da inflamação e da cicatrização. É nesse contexto que a clínica usa a ozonioterapia, sempre a partir da avaliação.
Que perguntas levar para a consulta sobre ozonioterapia?
Levar perguntas prontas para a consulta ajuda você a entender por que a ozonioterapia foi indicada, o que esperar de cada etapa e como medir a resposta. Use a lista abaixo como roteiro e acrescente as suas dúvidas.
- Qual é a causa da minha dor ou da minha ferida? Entender o diagnóstico ajuda a entender o plano.
- Por que a ozonioterapia faz sentido no meu caso? E o que mais entra no plano junto com ela.
- Como será a aplicação? Dentro da articulação, nos músculos, ao redor da coluna ou sobre a pele, com ou sem ultrassom.
- Quantas sessões estão previstas e com que intervalo? E quando o plano será reavaliado.
- O que posso fazer nos dias da sessão? Trabalho, treino, dirigir e cuidados no local.
- Algum medicamento ou condição minha pede cuidado? Leve a lista do que você usa.
- Como vamos medir se está funcionando? Dor, função, sono e, nas feridas, a evolução da cicatrização.
- O que eu posso fazer em casa para ajudar? Exercícios, ajustes na rotina, alimentação e sono.
O que separar antes da consulta
- Laudos e imagens de raio X, ultrassom ou ressonância do local da dor
- Lista dos medicamentos e suplementos em uso
- Tratamentos que você já fez para essa dor e como respondeu a cada um
- Exames de sangue recentes, se tiver
- Anotações sobre quando a dor piora e quando melhora
Glossário da ozonioterapia
- Ozônio
- Forma do oxigênio com três átomos. É instável e volta a ser oxigênio em pouco tempo.
- Mistura de oxigênio e ozônio
- Gás usado na ozonioterapia, formado em sua maior parte por oxigênio medicinal, com ozônio em concentração baixa.
- Gerador de ozônio medicinal
- Aparelho próprio para uso em saúde que transforma parte do oxigênio medicinal em ozônio, na concentração definida.
- Estresse oxidativo
- Desequilíbrio entre substâncias oxidantes e as defesas antioxidantes do corpo. Em grau leve e controlado, pode estimular essas defesas.
- Hormese
- Resposta em que uma dose baixa de um estímulo traz efeito protetor e uma dose alta faz mal.
- Nrf2
- Proteína que funciona como interruptor dentro das células e liga a produção de enzimas antioxidantes.
- Aplicação intra-articular
- Aplicação feita dentro da articulação, com agulha fina.
- Aplicação paravertebral
- Aplicação nos músculos ao lado da coluna, usada na dor lombar e cervical.
- Procedimento guiado por ultrassom
- Aplicação em que o ultrassom mostra em tempo real a agulha e o ponto tratado.
- Artrose (osteoartrite)
- Desgaste da cartilagem das articulações, com inflamação, rigidez e dor.
- Hérnia de disco
- Deslocamento do disco que fica entre as vértebras, que pode irritar um nervo e causar dor que irradia.
- Deficiência de G6PD
- Alteração hereditária das hemácias que as torna sensíveis ao estresse oxidativo.
- Revisão sistemática e meta-análise
- Estudos que reúnem e analisam em conjunto as pesquisas já publicadas sobre um tema.
Perguntas frequentes sobre ozonioterapia
O que é ozonioterapia e para que ela serve?
Ozonioterapia é o uso medicinal de uma mistura de oxigênio e ozônio, aplicada no local tratado. Em dose baixa, ela ativa as defesas antioxidantes do corpo e ajuda a modular a inflamação. É usada no cuidado da dor e da inflamação em articulações, coluna, músculos e tendões, de feridas que demoram a cicatrizar e da recuperação depois de lesões, sempre como parte de um plano definido na consulta.
A ozonioterapia dói?
Nas aplicações com agulha, o que mais se sente é a picada e uma sensação de pressão ou de inchaço no local, que costuma passar no mesmo dia. A intensidade varia conforme a região tratada e a sensibilidade de cada pessoa. Nas feridas, a aplicação sobre a pele em geral não dói.
Quantas sessões de ozonioterapia são necessárias?
Não existe um número fixo. A quantidade de sessões e o intervalo entre elas são definidos no plano de cada pessoa, conforme o local tratado, o diagnóstico e a resposta, e são revistos nas reavaliações.
A ozonioterapia é usada na hérnia de disco?
Sim. Na dor lombar ligada à hérnia de disco, a ozonioterapia está entre os usos mais estudados, com revisões sistemáticas que mostram alívio da dor e baixa taxa de complicações. Ela entra no plano junto com a reabilitação, e a forma de aplicação é definida na consulta.
A ozonioterapia ajuda feridas que não cicatrizam?
Nas feridas de cicatrização lenta, como as do pé de quem tem diabetes, a ozonioterapia é aplicada sobre a pele como apoio ao cuidado da ferida. Os estudos mostram sinais de benefício, ainda com resultados variados. O tratamento da causa, como a glicemia, a pressão sobre o pé e a circulação, faz parte do mesmo plano.
A ozonioterapia substitui a fisioterapia?
Não. A ozonioterapia ajuda a controlar a dor e a inflamação, e a fisioterapia e o fortalecimento recuperam força e mobilidade. Os dois caminham juntos no plano, e é o fortalecimento que ajuda a manter o resultado depois das sessões.
Quais cuidados são avaliados antes da ozonioterapia?
A consulta avalia condições que pedem cautela, como deficiência de G6PD, hipertireoidismo não controlado e o início da gestação, além dos medicamentos em uso, das alergias e da pele no local da aplicação. O ozônio nunca é inalado: a mistura é aplicada em sistema fechado, direto no local tratado.
Onde fazer ozonioterapia em Londrina?
Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden. A ozonioterapia faz parte do programa de tratamento da dor e medicina regenerativa, com atendimento particular e agendamento pelo WhatsApp (43) 99930-0218 ou pelo telefone (43) 3323-8744.
Referências
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