Em resumo
- SIBO: crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, um trecho que normalmente tem poucas, causando sintomas digestivos. Na Clínica Higashi Londrina, o teste respiratório faz parte do check-up da primeira consulta.
- Sintomas: inchaço, gases, desconforto na barriga e alteração do ritmo do intestino, que também aparecem em outras condições.
- Metano e intestino preso: quando o gás predominante é o metano, o quadro tem nome próprio e costuma vir com constipação.
- O teste ajuda, mas não decide sozinho: o resultado é lido com os sintomas, os fatores de risco e os exames de sangue, como ferro e vitamina B12.
- Tratamento na consulta: começa pelo que favoreceu o supercrescimento e inclui alimentação, medicamentos em uso, ritmo intestinal e nutrientes.
O que é SIBO?
SIBO é a sigla em inglês para supercrescimento bacteriano no intestino delgado: a presença de um número excessivo de bactérias num trecho do intestino que normalmente tem poucas, causando sintomas digestivos [1]. Na Clínica Higashi Londrina, a investigação do SIBO faz parte do olhar sobre o intestino que acompanha toda primeira consulta, porque inchaço e desconforto frequentes pesam na alimentação, na energia e no bem-estar do dia a dia.
O intestino delgado é o trecho longo que vai do estômago até o intestino grosso, onde a maior parte dos nutrientes é absorvida. O intestino grosso, sim, abriga uma quantidade enorme de micro-organismos, e é lá que a fermentação de fibras é esperada. No SIBO, essa fermentação começa cedo demais, num lugar que não está preparado para ela.
Como o corpo mantém o intestino delgado com poucas bactérias
O corpo tem várias defesas que, juntas, impedem as bactérias de se acumularem nesse trecho [3]:
- Acidez do estômago: controla as bactérias que chegam com os alimentos.
- Movimento do intestino: em jejum, ondas de contração varrem o intestino delgado a cada 90 a 120 minutos, mais ou menos, levando restos e bactérias adiante.
- Válvula entre o intestino delgado e o grosso: dificulta que as bactérias do intestino grosso voltem.
- Defesa imunológica da parede do intestino.
Quando uma ou mais dessas defesas falham, as bactérias encontram espaço para crescer. É por isso que a pergunta "o que favoreceu o SIBO?" é tão importante quanto o diagnóstico. O guia do check-up funcional mostra como o teste respiratório se soma aos outros quatro exames da primeira consulta.
“A definição de SIBO como entidade clínica carece de precisão e de consistência.”
Quigley, Murray e Pimentel, Associação Americana de Gastroenterologia, 2020 [2]
A frase da revisão de especialistas resume um ponto importante: o SIBO existe, mas o termo tem sido usado para explicar sintomas demais. Por isso a investigação pede cuidado.
Quais são os sintomas de SIBO?
Os sintomas mais ligados ao SIBO são inchaço, distensão da barriga, gases, dor ou desconforto abdominal e diarreia, e nos casos mais intensos podem aparecer fezes gordurosas, perda de peso e cansaço [2][3]. Quando o gás predominante é o metano, o intestino preso costuma tomar o lugar da diarreia.
Sinais mais comuns
- Barriga que incha ao longo do dia, mesmo comendo pouco
- Gases em excesso e sensação de estufamento
- Desconforto ou dor abdominal
- Diarreia ou intestino preso
Sinais de que a absorção pode estar afetada
- Fezes gordurosas, que boiam ou são difíceis de dar descarga
- Perda de peso sem intenção
- Cansaço e fraqueza
- Vitamina B12 ou ferro baixos nos exames
Nenhum desses sinais é exclusivo do SIBO. Inchaço e gases são algumas das queixas digestivas mais comuns que existem, e aparecem também na síndrome do intestino irritável, na constipação e nas intolerâncias alimentares [9]. É o conjunto, e não um sintoma isolado, que orienta a investigação.
O que causa SIBO e quem tem mais risco?
O SIBO costuma aparecer quando alguma das defesas do intestino delgado falha: menos acidez no estômago, intestino que se movimenta devagar, alterações na anatomia do intestino ou doenças que mudam a digestão e a imunidade [3]. Em geral, há um fator de fundo, e é ele que a consulta busca identificar.
Fatores que reduzem a acidez do estômago
- Gastrite atrófica, infecção pelo Helicobacter pylori e o próprio envelhecimento [3].
- Uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez do estômago. Uma metanálise encontrou associação com SIBO, mas só nos estudos que usaram cultura do líquido do intestino delgado para o diagnóstico, e não nos que usaram teste respiratório com glicose [4]. Por isso, a lista de medicamentos em uso faz parte da consulta.
Fatores que deixam o intestino mais lento
- Diabetes de longa data com controle difícil, que pode afetar os nervos do intestino [3].
- Doenças que alteram o movimento do intestino, como esclerodermia, e quadros de esvaziamento lento do estômago.
Fatores de anatomia e outras condições
- Cirurgias no estômago ou no intestino, inclusive algumas cirurgias para obesidade, divertículos e estreitamentos do intestino delgado.
- Doença celíaca, pancreatite crônica, cirrose, insuficiência renal crônica, uso frequente de álcool e uso repetido de antibióticos [3].
Um fator puxa o outro: estresse e sono ruim mexem com o ritmo do intestino, o intestino irregular muda o que se come, e a alimentação muda os micro-organismos. O artigo sobre intestino, microbiota, hormônios e peso aprofunda essa rede.
O que o metano tem a ver com o intestino preso?
Quando o gás em excesso é o metano, e não o hidrogênio, o quadro recebe o nome de supercrescimento de micro-organismos produtores de metano, ou IMO, na sigla em inglês, e costuma vir acompanhado de constipação [1]. A diretriz do Colégio Americano de Gastroenterologia adotou esse nome porque o metano não é produzido por bactérias, e sim por outro grupo de micro-organismos, as arqueias [1].
A ligação com o intestino preso é consistente. Uma metanálise com 1.277 pessoas encontrou chance cerca de três vezes e meia maior de constipação em quem tinha metano no teste respiratório, e a revisão sistemática do mesmo trabalho reuniu estudos que mostraram trânsito intestinal mais lento nesse grupo [5]. Por isso a diretriz sugere medir o metano em quem tem sintomas e intestino preso [1].
Hidrogênio, metano ou os dois
O mesmo teste mede os dois gases. Hidrogênio em excesso costuma combinar com inchaço e diarreia; metano, com inchaço e intestino preso. Há pessoas com os dois. O padrão encontrado muda a conversa sobre o tratamento.
Como é o teste respiratório para SIBO?
O teste respiratório para SIBO mede hidrogênio e metano no ar que você expira, em vários momentos depois de beber uma solução de açúcar, para ver se a fermentação começa cedo demais no intestino. O princípio é simples: o corpo humano não produz esses gases; eles vêm exclusivamente da fermentação feita pelos micro-organismos do intestino [6]. Parte do gás passa para o sangue e sai pela respiração.

- Primeira amostra. Você sopra numa bolsa de coleta antes da solução, para registrar o ponto de partida.
- Solução de açúcar. Você bebe a solução indicada para o teste.
- Novas amostras. Você sopra nas bolsas em intervalos regulares, em repouso, na própria clínica.
- Curvas dos dois gases. As amostras são analisadas e formam as curvas de hidrogênio e de metano ao longo do teste.
Na clínica, o teste é feito em parceria com a HealthGo Air. O consenso norte-americano sobre testes respiratórios considera positivo para SIBO um aumento de hidrogênio de pelo menos 20 partes por milhão em até 90 minutos, e positivo para metano um valor de pelo menos 10 partes por milhão [6].
Alimentação dos dias anteriores e medicamentos usados nas semanas anteriores mudam a produção de gases, e é por isso que o preparo importa tanto. As orientações são enviadas pela equipe no agendamento. A ficha do exame está na página sobre o teste respiratório para SIBO feito na Clínica Higashi Londrina.
O que o teste não responde, e quais outras causas de inchaço entram na investigação?
O teste respiratório ajuda a investigar o SIBO, mas não explica, sozinho, todos os sintomas: um resultado positivo pode não ser a causa principal do inchaço, e um resultado negativo não encerra a investigação do intestino. Revisões de especialistas apontam que a facilidade de acesso ao teste levou a um aumento grande de diagnósticos e que a especificidade do exame tem limites [7], e defendem uma leitura crítica e cuidadosa [8].
Por que o resultado pode enganar
- Quando o trânsito é rápido, o açúcar pode chegar cedo ao intestino grosso, onde a fermentação é normal, e a subida dos gases não reflete necessariamente o intestino delgado [6].
- Quando a solução é de glicose, ela é absorvida no começo do intestino delgado, o que influencia o trecho que o teste consegue avaliar [6].
- Quando o preparo muda, a alimentação e os medicamentos recentes alteram a quantidade de gás.
Outras causas de inchaço que a consulta considera
Inchaço e distensão podem ter várias origens, e muitas vezes mais de uma ao mesmo tempo [9]:
| Causa | Pista no dia a dia | Como entra na avaliação |
|---|---|---|
| Intolerâncias alimentares | Inchaço ligado a alimentos específicos, como leite | História alimentar detalhada, com o apoio da nutrição |
| Intestino preso | Inchaço que piora com dias sem evacuar | Ritmo intestinal, metano no teste e hábitos |
| Mudança da microbiota depois de uma infecção | Sintomas que começaram depois de uma gastroenterite | Linha do tempo dos sintomas |
| Intestino mais sensível | Desconforto com quantidades normais de gás, que piora com estresse | Conversa sobre sono e estresse e avaliação do sistema nervoso autônomo |
| Resposta do diafragma e da parede do abdômen | Barriga que se projeta para a frente ao longo do dia, sem aumento real de gás | Exame físico e história |
Essa última causa surpreende muita gente: em algumas pessoas, o diafragma desce e a parede do abdômen relaxa como reação ao gás, e a barriga cresce mesmo sem excesso de gás [9]. Nesses casos, o teste pode vir normal e a queixa continuar real.
SIBO atrapalha a absorção de vitaminas e minerais?
Pode atrapalhar: as bactérias em excesso disputam a vitamina B12 com o corpo e alteram a digestão da gordura, o que pode levar a deficiências de B12, de vitaminas que dependem da gordura para ser absorvidas e, em alguns casos, de ferro [3]. A revisão da Associação Americana de Gastroenterologia lista, entre os achados de laboratório, ácido fólico elevado e, com menos frequência, deficiência de B12 e de outros nutrientes [2].
- Vitamina B12: as bactérias captam a B12 antes que ela chegue ao ponto de absorção, no fim do intestino delgado [3].
- Vitaminas A, D, E e K: as bactérias alteram os sais da bile, que ajudam a absorver a gordura. Com menos absorção de gordura, essas vitaminas também podem faltar [3].
- Ferro: a deficiência aparece descrita entre as complicações [3] e pesa no cansaço.
- Ácido fólico: costuma estar normal ou alto, porque as próprias bactérias produzem essa vitamina [3]. Um ácido fólico alto com B12 baixa é uma das pistas que a consulta observa.
Por isso a leitura do teste respiratório vem junto com os exames de sangue. Uma B12 ou um ferro baixos podem explicar parte do cansaço e da falta de disposição, e o artigo sobre vitamina B12 e ferro baixos mostra como essas deficiências são investigadas.
Como o tratamento do SIBO é decidido na consulta?
O tratamento do SIBO é decidido na consulta a partir do conjunto: o resultado do teste, os sintomas, o fator que favoreceu o supercrescimento e os exames de sangue, porque corrigir o fator de fundo é parte central do tratamento [3]. Na Clínica Higashi Londrina, essa leitura é feita pelo Dr. Leonardo Higashi, MÉDICO, CRM-PR 25067, especialista em Endocrinologia e Metabologia e em Nutrologia.
Confirmar que o SIBO explica os sintomas
O teste é cruzado com a história, o ritmo intestinal e as outras causas de inchaço. Um resultado positivo sem sintomas compatíveis não leva, por si só, a tratamento.
Rever o que favoreceu o quadro
Medicamentos em uso, controle da glicose, cirurgias anteriores, ritmo do intestino, álcool, sono e estresse entram na conversa.
Tratar o supercrescimento, quando confirmado
O tratamento com antibióticos, quando indicado, é escolhido pelo médico conforme o gás predominante e o caso, e prescrito com cuidado [8].
Alimentação e nutrientes
A alimentação é ajustada com o apoio da nutrição da clínica ao acompanhamento médico, e as deficiências encontradas nos exames são tratadas.
Acompanhar
Os sintomas são acompanhados nas consultas seguintes. Quando o fator de fundo continua presente, o quadro pode voltar, e o plano é ajustado.
Esse é o equilíbrio global da saúde aplicado ao intestino: o teste mostra uma parte, e o plano olha para as outras.
Perguntas frequentes sobre SIBO
O que é SIBO?
SIBO é o supercrescimento bacteriano no intestino delgado: um número excessivo de bactérias num trecho do intestino que normalmente tem poucas, causando sintomas como inchaço, gases, desconforto e alteração do ritmo intestinal. A investigação junta a história, os fatores de risco e o teste respiratório de hidrogênio e metano.
Qual é a diferença entre SIBO e IMO?
No SIBO, o gás em excesso no teste é o hidrogênio, produzido por bactérias. No IMO, é o metano, produzido por outro grupo de micro-organismos, as arqueias. O IMO costuma vir acompanhado de intestino preso, e o mesmo teste respiratório mede os dois gases.
Teste respiratório positivo quer dizer que eu tenho SIBO?
Não necessariamente. O resultado positivo é uma pista importante, mas precisa combinar com os sintomas e com a história, porque trânsito intestinal rápido e mudanças no preparo também alteram os gases. Por isso o teste é lido na consulta, junto com os outros exames.
SIBO pode causar falta de vitamina B12?
Pode. As bactérias em excesso captam a B12 antes que ela seja absorvida, e a digestão da gordura também pode ficar prejudicada. Por isso, quem investiga SIBO costuma ter a B12, o ferro e outros nutrientes avaliados nos exames de sangue.
SIBO pode voltar depois do tratamento?
Pode, principalmente quando o fator que favoreceu o supercrescimento continua presente, como um intestino lento ou o uso prolongado de alguns medicamentos. É por isso que o plano olha para o que está por trás, e não só para o resultado do teste.
Onde fazer o teste respiratório para SIBO em Londrina?
Na Clínica Higashi Londrina, na Av. Ayrton Senna da Silva, 1055, Square Garden. O teste faz parte do check-up funcional que toda primeira consulta inclui, com a bioimpedância InBody e Seca, a calorimetria indireta, a avaliação do sistema nervoso autônomo e a espirometria. As orientações de preparo são enviadas no agendamento.
Referências
- Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG clinical guideline: small intestinal bacterial overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020;115(2):165-78. doi:10.14309/ajg.0000000000000501
- Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA clinical practice update on small intestinal bacterial overgrowth: expert review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-32. doi:10.1053/j.gastro.2020.06.090
- Dukowicz AC, Lacy BE, Levine GM. Small intestinal bacterial overgrowth: a comprehensive review. Gastroenterol Hepatol (N Y). 2007;3(2):112-22. PMCID:PMC3099351
- Lo WK, Chan WW. Proton pump inhibitor use and the risk of small intestinal bacterial overgrowth: a meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2013;11(5):483-90. doi:10.1016/j.cgh.2012.12.011
- Kunkel D, Basseri RJ, Makhani MD, Chong K, Chang C, Pimentel M. Methane on breath testing is associated with constipation: a systematic review and meta-analysis. Dig Dis Sci. 2011;56(6):1612-8. doi:10.1007/s10620-011-1590-5
- Rezaie A, Buresi M, Lembo A, Lin H, McCallum R, Rao S, et al. Hydrogen and methane-based breath testing in gastrointestinal disorders: the North American consensus. Am J Gastroenterol. 2017;112(5):775-84. doi:10.1038/ajg.2017.46
- Bushyhead D, Quigley EMM. Small intestinal bacterial overgrowth: pathophysiology and its implications for definition and management. Gastroenterology. 2022;163(3):593-607. doi:10.1053/j.gastro.2022.04.002
- Kholwadwala AS, Quigley EMM. Small intestinal bacterial overgrowth and intestinal methanogen overgrowth: are they overdiagnosed? Acta Gastroenterol Latinoam. 2025;55(4):276-91. doi:10.52787/agl.v55i4.570
- Lacy BE, Cangemi D, Vazquez-Roque M. Management of chronic abdominal distension and bloating. Clin Gastroenterol Hepatol. 2021;19(2):219-31.e1. doi:10.1016/j.cgh.2020.03.056
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.




